CASO RODRIGO CLARO 12.03.2020 | 13h13

eduarda@gazetadigital.com.br
Eduarda Fernandes
O juiz da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, Marco Faleiros, interrogará a tenente Izadora Ledur de Souza, em audiência de instrução do processo que investiga a morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro. Ele morreu em novembro de 2016 após treinamento no curso de bombeiro, em Cuiabá.
Ficou 5 dias internado. Ledur, segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), teria utilizado métodos abusivos, considerados como tortura, para puni-lo após ele ter demonstrado dificuldade para desenvolver algumas atividades.
Caso o interrogatório seja concluído nesta quinta-feira (12), a fase de instrução do processo estará concluída e o magistrado precisará apenas marcar a data da audiência de julgamento, sem prazo para ocorrer.
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Na última audiência do caso, em novembro do ano passado, a defesa de Ledur insistiu na oitiva da testemunha de defesa, o Tenente Coronel Bombeiro Militar Danilo Cavalcante Coelho, que não estava presente na ocasião. A audiência então foi remarcada para esta quinta. A testemunha chegou a apresentar um atestado médico informou de sua impossibilidade de comparecer novamente na audiência, mas Faleiros determinou que ele fosse ouvido por carta precatória.
Atualizada às 16h20 – Termina o interrogatório de Ledur. Agora, será aberto prazo de vistas para realização de diligências.
Atualizada às 16h17 - Ao final de um curso de formação de bombeiro, a tenente pontua que o bombeiro precisa saber o mínimo exigido na Constituição Estadual, que é entrar na água, realizar serviço de prevenção, acessar uma vítima, se desvencilhar da vítima se necessário, retirar a vítima da água e encaminhar ao serviço hospitalar. Sobre ser rígida demais com os alunos, Ledur argumenta que sempre que alunos reclamam de um professor que exige demais, posteriormente acabam percebendo que aquela cobrança era necessária.
Após a sessão de caldos, Rodrigo pediu que, por favor, Ledur parasse e falou a ela que queria desistir. Ao promotor, Ledur diz que não entendeu aquela fala como uma desistência do curso, mas apenas daquela atividade.
A tenente nega ter ameaçado Rodrigo dizendo que "na lagoa ia ser pior", mas admite ter alertado todos os alunos que na lagoa seria mais difícil. "Mas isso não era direcionado a um ou outro aluno, era para todos".
Sobre a mensagem aparovada que Rodrigo enviou a mãe momentos antes de ir para a instrução, Ledur não sabe dizer se era por medo dela ou da água.
Atualizada às 16h05 - Ledur cita que o Coronel Rainho, diferente do Coronel Cavalcante, confirmou que a técnica de caldos pode ser aplicada em lagoas e não somente em piscinas. “Todos os manuais falam que tem que se aproximar da realidade e o afogamento real vai acontecer é lá”.
A tenente ressalta que naquele momento já havia se passado 7 meses de curso e, naquela altura, os alunos tinham aula somente em meio período e o restante do dia livre para treinar. “Quando eu falei de vida em risco, não falei de treinamento. Falei com relação à nossa obrigação constitucional. Para que exista condição de risco precisa haver vulnerabilidade e ameaça e isso não aconteceu porque existia as condições de segurança. Quem vê de fora pode achar que é amadorismo, mas não é, a gente está o tempo todo avaliando os sinais e sintomas dos alunos. Ele pedir a boia é sinal de que ele estava cansado, só isso”.
Atualizada às 15h47 - Ao promotor de Justiça, Ledur esclarece que não houve afogamento e garante que soltava Rodrigo quando ele parava de nadar e submergia. Ela destaca que vômito não é sinal de afogamento.
Presente na audiência, Jane Claro chora enquanto ouve o depoimento de Ledur.
Atualizada às 15h38 - Ao magistrado, a tenente pontua que havia vários aspectos de seguranças preenchidos no dia da instrução e que somente a ausência da ambulância não traria nenhum risco às atividades. “O que eu cobrava e o que os demais instrutores cobravam não era nada demais, era o mínimo para realizar um salvamento completo. Nenhum aluno nadou nenhum metro a mais que o outro. A gente só exigia o mínimo”, comenta.
Ledur nega que o tenente-coronel BM Augusto Reveles, o instrutor mais velho na ocasião, tenha chamado sua atenção no dia por eventual exagero na condução das atividades.
Questionada sobre o não desligamento de Rodrigo, mesmo ele tendo demonstrado que queria desistir, ela explica: “Não era assim que acontecia, a corporação não tinha essa postura. E o Claro não pediu baixa, ele só falava que não queria estar na instrução. Mesmo ele não querendo estar ali, não adiantava dar voz de prisão porque a gente passava vergonha. [...] Não era o objetivo, não era a intenção e não cabia a mim”.
Atualizada às 15h27 - Ledur diz que a partir de então não acompanhou mais Rodrigo e que as informações que tem sobre a piora dele obteve no processo. Quando soube que Rodrigo havia sido internado, a tenente afirma que foi para o hospital e ficou ao lado da família do aluno, aguardando por notícias do quadro médico dele. “Eu estava tranquila porque sei que sangramento cerebral não tem a ver com o treinamento, mas estava preocupada”.
A tenente lembra que a mãe de Rodrigo, Jane Claro, chegou posteriormente e passou a fazer acusações contra ela. Nos 5 dias em que ele esteve internado, a tenente não compareceu mais ao hospital para evitar animosidades. Quanto à falta de ambulância no local da instrução, Ledur diz que esse é um fator que não cabe ao instrutor garantir e que, para aquela ocasião, a segurança não seria prejudicada.
Atualizada às 15h20 - Ao juiz, Ledur exibe fotos do dia 10, feitas pelo fotógrafo contratado pelos próprios alunos. Com isso, ela nega ter saído da água e nega também ter visto Rodrigo passando mal. Diz que 15 minutos após a atividade todos os alunos estavam foram da água e em forma. Em seguida, seria realizado o exercício de flutuação. Dois alunos não voltaram para essa atividade, Rodrigo era um deles. “Ninguém forçou, ninguém obrigou”.
Após a atividade, Ledur conta que perguntou aos alunos se voltariam para a água e, neste momento, Rodrigo teria dado as costas à tenente, que cobrou uma explicação para a irreverência. Até então, a tenente garante que Rodrigo não apresentava sinais de afogamentos, que saiu andando, subiu na moto e foi embora. Ela explica que há uma escala de 1 a 6 para sintomas de afogamento e, segundo ela, Rodrigo não apresentou nenhum, nem mesmo de cefaleia.
Atualizada às 15h09 - Diante do comportamento de Rodrigo narrado por Ledur, ela conta que desistiu de tentar fazê-lo voltar à atividade, porém ele acabou voltando para a água por incentivo de alunos. Quanto à carga extra aplicada em Rodrigo por ter ficado atrás do pelotão na água, ela nega e fala que o aluno não ficou entre os últimos no retorno da travessia da lagoa.
Atualizada às 15h01 - Ledur nega que tenha aplicado os caldos e nado resistido para tentar fazê-lo desistir do curso. Declara que é muito difícil um aluno ser dispensado, mesmo que a própria pessoa peça para sair.
Ela afirma que Rodrigo não afogou, que não apresentou nenhum sintoma de afogamento, não tossiu. "Conversei com ele e falei: 'aluno, se esforça'. Quando terminou essa primeira parte da travessia foi quando ele estava realmente descontrolado. Falava que queria ir embora", relata. Neste sentido, ela cita que vários alunos daquela turma se recusavam a praticar algumas atividades.
Atualizada às 14h51 - De acordo com a tenente, Rodrigo apresentou diversas vezes, e não só no dia 10, “descontrole emocional” quando passava por dificuldades e desistia do percurso que estava fazendo. Neste sentido, ela destaca que os alunos da 16ª turma, a de Rodrigo, era composta pelo cadastro reserva do concurso. "O Claro sempre apresentava descontrole emocional", afirma.
No dia, o nado resistido feito em Rodrigo foi uma tentativa de estimulá-lo a reagir e apresentar outro comportamento, explica Ledur. "Essa atitude foi uma atitude prevista, foi uma conduta que acontece em outros cursos. É uma conduta que tem um objetivo, que aproxime da realidade. O objetivo é aferir uma resposta".
Mais uma vez, a tenente frisa que não ficou em contato com Rodrigo por muito tempo. Diz que foram apenas alguns minutos.
Atualizada às 14h39 - Também foi feito no dia o exercício de flutuabilidade com mergulho livre, entrada na água, deslocamento e abordagem à vítima com uso de flutuador. A aula seguiu até às 17h40. Rodrigo, no dia da instrução, um fotógrafo contratado para registrar a aula fotografou somente a volta dele. “No entanto, esse GPS que eu utilizo marca a taxa de braçada. Aqui é muito importante a gente desmistificar o tempo de contato que eu tive com o aluno. O relógio mostra os momentos que eu não estou fazendo movimento de natação, que é quando eu tive com o aluno, foram dois contatos”.
A tenente garante que não há como alterar os dados registrados pelo celular. “Falou-se muito em caldos, em sessões de afogamentos. O caldo é um exercício prático próximo à realidade que tem como objetivo colocar o aluno numa situação similar a uma situação real. O caldo é desde um exercício de jogar água no rosto do militar à submersões controladas e o reboque. A partir do momento que o bombeiro pega a vítima, ele vai arrastar essa vítima. O nado resistido é isso. A questão de ficar em cima de aluno é correta. Existe desde os primórdios até hoje, mas não é uma postura que eu tinha”, relata ao juiz.
Ledur segue explicando que na época pesava 15 kg a menos e por isso não tinha contato físico com os alunos. O que ela praticava era o nado resistido, principalmente na lagoa. “Eu segurava eles pela camiseta, na cintura, na bóia, nadava no sentido contrário para tracionar. E no dia do Rodrigo Claro foi o que eu fiz”.
Ela afirma que aplicou em Rodrigo Claro os mesmos procedimentos que usou nos demais alunos.
Atualizada às 14h33 - Ledur conta que no dia os alunos chegaram na lagoa por volta das 14h30. E após o recebimento dos alunos fizeram uma corrida ao redor da lagoa para fins de aquecimento. Cita que ela estava usando um relógio digital de pulso no qual marcou o tempo e percurso de deslocamento dos alunos. Ela entrega uma cópia do registro extraído o relógio digital ao juiz. Quando os alunos vão para o exercício para a água já estão aquecidos. O percurso de ida foi de 250 metros e durou 20 minutos. Esse percurso não é só de natação.
Atualizada às 14h27 - Conforme a tenente, houve avaliações teóricas e práticas e aos alunos foi ensinado todos os conceitos sobre salvamento. “É passado para eles tudo que é necessário para as instruções práticas”. Sobre o dia 10 de novembro de 2016, Ledur lembra que os alunos estavam há 22 dias da formação. “Quando a gente foi para essa instrução na lagoa eles já tinham aprendido todas as técnicas de salvamento aquático, tanto teóricas quanto práticas. Eles já tinham nadado por longas distâncias, flutuado por longas distância. E essa progressão vai sendo aplicada a cada instrução”, detalha Ledur.
Após uma sessão de aquecimento, os alunos entram na água. Ledur reforça que na aula de salvamento aquático os alunos não são ensinados a nadar, eles já devem saber a esta altura porque a natação é requisito para ser aprovado em concurso público. À época, Ledur aponta que os critérios que indicavam que o aluno sabia nadar eram menos rígidos. No ano seguinte essas regras foram alteradas. “Quando eles vão para a lagoa, os instrutores não vao ensinar a nadar. É treinar”.
Atualizada às 14h20 - Ledur reforça que a metodologia usada nas aulas não foi criada por ela, mas sim por esses órgãos doutrinadores. Enfatiza que os alunos aprovados no concurso precisam saber nadar.
Sobre as aulas de salvamento aquático, ela avalia que é a disciplina que mais exige do corpo humano, por isso é ministrada ao final do curso quando o aluno já está com o físico mais preparado. A capacitação do aluno para esse tipo de prática, segundo a tenente, segue o que estipula as organizações doutrinadoras, que definem que os treinamentos precisam ser contínuos e o mais próximo do real possível.
“Negativo. Não são verdadeiros os fatos”, declara Ledur ao ser questionada se os crimes que lhe são imputados são verdadeiros. Antes de falar sobre o curso do qual Rodrigo participou, Ledur pede para explicar sobre o curso de forma geral. Relata que o objetivo é tornar apto o aluno a se tornar um bombeiro militar. Ela destaca que os alunos que se submetem o curso já passaram uma aprovação prévia que é o concurso público. Ledur fala que todos os alunos tinham uma vasta estrutura para treinamento, como a piscina da Universidade Federal de Mato Grosso e bombeiros para os auxiliarem.
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Neide - 12/03/2020
Ele nao pode se defender agora joga a culpa nele.Nossa da uma pena desta mae quanto sofrimento que o senhor proteja e dě forcas a ela.para suportar tanta maldade .
1 comentários