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agentes disfarçados 08.10.2025 | 17h09

Como trabalhadores de TI roubaram R$ 5 bi para programa nuclear da Coreia do Norte

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Divulgação/Tribunal Distrital dos EUA para o Distr

Divulgação/Tribunal Distrital dos EUA para o Distr

Foto mostra trabalhadores norte-coreanos suspeitos de financiar programa de armas do país asiático.

Agentes da Coreia do Norte disfarçados de trabalhadores de TI (tecnologia da informação) conseguiram empregos remotos em centenas de empresas ao redor do mundo, incluindo nos Estados Unidos, para financiar o programa nuclear do regime de Kim Jong-un.

 

É o que indicam investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça dos EUA e do FBI, a agência federal do país, que estimam que os recursos gerados por meio do esquema criminoso chegam a US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,3 bilhões).

 

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Como funcionava o esquema
Os agentes norte-coreanos usavam identidades falsas ou roubadas de cidadãos norte-americanos para criar currículos e perfis profissionais. Eles recorriam até mesmo a ferramentas de IA (inteligência artificial), como o Claude, para escrever cartas de apresentação e, ainda, realizar tarefas técnicas após a contratação.

 

Para dar a impressão de que os agentes estavam nos EUA, facilitadores criaram empresas de fachada para que os norte-coreanos fingissem que haviam trabalhado lá. Essas companhias fictícias eram incluídas nos currículos falsos dos “trabalhadores” asiáticos para facilitar a contratação deles pelas organizações enganadas.

 

Por meio do esquema, os agentes da Coreia do Norte conseguiram empregos em mais de 300 empresas. Entre as organizações lesadas, incluem-se gigantes como Google, Amazon, Nike e Nvidia, de acordo com a agência de notícias Bloomberg.

 

Os salários gerados pelos empregos fraudulentos eram enviados a intermediários, que transferiam o dinheiro para o regime norte-coreano. Parte dos valores era confiscada pelo governo, e os agentes ficavam com uma pequena porcentagem.

 

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), cada profissional incluído nesse programa deveria ganhar pelo menos US$ 100 mil por ano. Os que recebiam mais, podiam ficar com 30% do salário; os que ganhavam menos, com apenas 10%.

 

Operação nos EUA
Um dos episódios mais conhecidos do esquema foi o de Christina Marie Chapman, uma norte-americana de 50 anos. Em julho, ela foi condenada a 8 anos e meio de prisão por liderar uma das células da operação.

 

Chapman admitiu ter fornecido 68 identidades roubadas para os agentes norte-coreanos e que enviava laptops para cidades chinesas próximas à Coreia do Norte. Assim, os trabalhadores pareciam estar nos EUA.

 

Durante buscas em 2023, mais de 90 notebooks foram encontrados na residência de Chapman, considerada uma das “fazendas de laptops” da operação. Esse termo se refere a locais onde vários computadores funcionavam simultaneamente para gerar lucros aos asiáticos.

 

Chapman se declarou culpada de conspiração para fraude eletrônica, roubo de identidade qualificado e lavagem de dinheiro. Ela foi condenada a devolver cerca de US$ 176,8 mil que ganhou com a operação, além de US$ 284 mil destinados aos norte-coreanos.

 

Alcance global
O esquema não se restringia aos EUA. Empresas na Europa, Austrália, Japão e Arábia Saudita também foram alvo. Os profissionais norte-coreanos atuavam principalmente do país natal, mas também da China e Rússia.

 

Além do impacto financeiro, o programa criou riscos legais e de segurança, segundo os EUA. Isso porque contratar trabalhadores norte-coreanos, mesmo sem saber, é violação de sanções internacionais.

 

“Se isso aconteceu com grandes bancos e empresas listadas na Fortune 500, pode estar acontecendo com a sua empresa. Corporações que não verificam funcionários virtuais representam um risco à segurança de todos”, disse a procuradora-geral dos EUA, Jeanine Pirro.

 

Criptomoedas e lavagem de dinheiro
Os salários pagos pelas empresas eram muitas vezes enviados em criptomoedas, como USDC e USDT. Depois, os fundos eram transferidos entre diferentes blockchains (tecnologia por trás das criptomoedas) e misturados para esconder a origem ilícita.

 

Por fim, os valores chegavam ao governo norte-coreano, geralmente por meio de representantes ligados ao Ministério da Defesa, que estão incluídos em listas de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA.

 

Segundo autoridades norte-americanas, o objetivo do regime era arrecadar dinheiro suficiente para manter e expandir o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, que enfrenta restrições financeiras impostas pelas sanções internacionais.

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