violência racial 20.04.2021 | 09h44
Reprodução/Facebook
O julgamento do ex-policial Derek Chauvin, acusado de assassinar George Floyd em maio do ano passado no centro de Minneapolis (EUA), entrou em sua fase decisiva na segunda-feira (19). A acusação e a defesa fizeram suas alegações finais e os membros do júri se recolheram para deliberar sobre o veredito.
A cidade de Minneapolis e outras na região reforçaram seus esquemas de segurança, prevendo possíveis transtornos caso Chauvin seja inocentado. Ele responde a três acusações no julgamento: homicídio doloso em segundo grau, homicídio doloso em terceiro grau e homicídio culposo em segundo grau. Cada uma delas recebe um veredito de culpado ou inocente em separado.
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A acusação de homicídio doloso em segundo grau, que consiste em um crime não-planejado, mas com desprezo à vida humana, é a mais grave e pode resultar em até 45 anos de cadeia. O homicídio em terceiro grau existe apenas em alguns estados norte-americanos e diz respeito a atos intencionais, mas que levam a uma morte não-planejada, e tem pena de até 25 anos.
O homicídio culposo é a modalidade mais leve, com pena máxima de 10 anos. Chauvin pode ser considerado culpado ou inocente em uma, duas, três ou nenhuma das acusações.
Acusação x defesa
Em seus argumentos finais, o promotor Steve Schleicher afirmou que o motivo que levou Chauvin a se ajoelhar durante 9 minutos e 29 segundos no pescoço e costas de George Floyd durante uma abordagem policial em 25 de maio de 2020, foram "seu orgulho e seu ego" diante de tantas pessoas que passavam pela rua e pediam que ele saísse de cima do homem negro de 46 anos.
"Ele não ia deixar que esses transeuntes dissessem o que ele devia fazer. Ele ia fazer o que ele queria, do jeito que queria, pelo tempo que quisesse. E não havia nada, nada que eles pudessem fazer a respeito, porque a autoridade era dele. O poder era dele e os outros policiais, as testemunhas não tinham poder algum", afirmou. "Ele queria vencer, e George pagou por isso com sua vida".
A acusação, que chamou 38 testemunhas para depôr, entrevistou especialistas, peritos médicos e legistas que explicaram que Floyd morreu porque não conseguia mais oxigênio para respirar, e morreu pedindo por ar, como foi registrado em um vídeo que causou protestos em todo o mundo. "Acreditem nos seus olhos", disse Schleicher para o júri.
Por sua vez, a defesa, que teve 7 testemunhas ao longo das audiências, com ausência do próprio Chauvin, que exerceu seu direito constitucional de ficar em silêncio, tentou caracterizar a morte como consequência da saúde de Floyd e não da conduta do agora ex-policial.
"Vocês precisam olhar do ponto de vista de um oficial de polícia responsável. Vocês têm de levar em conta que eles são seres humanos, capazes de cometer erros em situações de alto stress", alegou Eric Nelson. "Neste caso, as circunstâncias que um oficial teria conhecimento naquele momento em que a força foi usada demonstra que foi um uso autorizado de força".
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