em conversa com jornalistas 15.04.2023 | 10h12
RICARDO STUCKERT/PR
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse na sexta-feira (14), em conversa com jornalistas em Pequim, na China, que os EUA incentivam a guerra ao fornecerem armas para a Ucrânia. "É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz. É preciso que a União Europeia comece a falar em paz pra gente poder convecer o Putin e o Zelensky [presidentes da Rússia e da Ucrânia, respectivamente] que a paz interessa a todo mundo — e a guerra só tá interessado, por enquanto, aos dois", afirmou.
Lula comparou a guerra a uma briga de família e a uma greve, "que a gente não sabe como termina", e sugeriu a criação de um grupo de países com "boas relações" com Rússia e Ucrânia para discutir o fim do conflito. "É preciso ter paciência pra conversar com o presidente da Rússia. É preciso ter paciência pra conversar com o presidente da Ucrânia. Mas é preciso, sobretudo, convencer os países que estão fornecendo armas e incentivando a guerra, pararem", disse.
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O chefe do Executivo federal cobrou "boa vontade" para pôr fim à guerra e disse que a China tem o papel "mais importante" na negociação. "É preciso encontrar no mundo países que estejam dispostos. O Brasil está disposto. A China está disposta. Acho que nós temos que encontrar outros aliados e negociar com as pessoas que podem ajudar", defendeu.
O presidente da República negou que a visita ao território chinês cause tensão política com o governo americano. "Tenho certeza que a nossa relação com a China não é, necessariamente, capaz de criar nenhum arranhão com os Estados Unidos".
"Quando eu vou conversar com os Estados Unidos, eu não fico preocupado com o que a China vai pensar da minha conversa com os Estados Unidos. Eu estou conversando sobre os interesses soberanos do meu país. Quando eu venho conversar com a China, eu também não estou preocupado com o que o Estados Unidos estão pensando", argumentou.
De acordo com Lula, os acordos assinados pelo Brasil não tem viés ideológico e dizem respeito a interesses nacionais. "O Brasil tem que fazer acordos possíveis com todos os países. Nós não temos escolhas políticas, escolhas ideológicas. Nós temos uma escolha de interesse nacional — interesse do povo brasileiro, interesse da indústria nacional, interesse da nossa soberania", disse.
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