22.02.2006 | 03h00
O período mais fértil do ano no Brasil fica entre um sábado e uma terça-feira de fevereiro. Em 2006 vai de 25 a 28, próximo final de semana esticado. Daqui a 9 meses, por mais campanhas que se faça em favor dos preservativos, crianças hão de nascer. São os filhos do Carnaval.
O Ministério da Saúde já enviou milhares de camisinhas para todo o país e em Mato Grosso a Secretaria de Estado de Saúde prepara-se para distribuí-las. Usá-las, no entanto, cabe a cada folião, homens e mulheres, principalmente adolescentes, que, quando têm filhos precocemente, não só arruinam os próprios sonhos como envolvem as famílias nesta empreitada imprevista, além, é claro, do bebê.
Um filho indesejado, no entanto, ao meu ver, não é nada, diante da possibilidade de herdar do Carnaval um problema mais grave e de difícil contorno: a Aids, por exemplo.
Um filho indesejado, de imediato, traz transtornos, brigas em famílias, falta de aceitação, mas a criança cresce, fica uma gracinha e ninguém mais consegue imaginar a vida sem ela.
Em se tratando de Aids, não é bem assim. Portadores jamais podem esquecer-se dela, já que a rotina do tratamento ininterrupto é feita de coquetéis e da dificuldade eterna de rever relações afetivas, de gerar filhos, de ser aceito socialmente, de sair da depressão inicial e costumeira, de renascer.
O Carnaval é o ópio do povo e se sabe que é milenar a busca do homem por escapes que o ajudem a aguentar o rojão do dia-a-dia. Drogas, de todos os tipos, fazem parte da história da humanidade. Neste período, estão "liberadas". Muitos experimentam pela primeira vez, tudo é permitido.
Houve uma época em que no Carnaval consumia-se lança-perfume abertamente nos bailes de salão como contam os sexagenários. Saudosismo à parte, trata-se de uma substância inalante, aspirada pelo nariz ou pela boca, solvente capaz de dissolver outros materiais e que age a nível do sistema nervoso central e no cérebro, sendo capaz de acelerar o coração de 80 batimentos por hora a 180 e até provocar uma parada cardíaca. A combinação de éter, clorofórmio, cloreto de etila e uma essência perfumada, leva ainda à destruição das células do cérebro (os neurônios), que não se recompõem. As informações são do site boasaude.uol.com.br.
Alguém aí está interessado nisso durante o Carnaval? Claro que não.
Mas não custa lembrar novamente que as conseqüências dos quatro dias de folia podem durar mais tempo e isso é um problema de saúde pública.
Quanto ao samba, já nem sei se ele sobreviveu às transformações do Crnaval. Sobreviveu sim.
Keka Werneck é repórter do jornal A Gazeta e escreve neste espaço às quartas-feiras. E-mail: keka@gazetadigital.com.br
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.