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Cuiabá, Terça-feira 09/06/2026

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APÓS NEGAR SEXO COM ASSASSINO 09.06.2026 | 11h00

'Corpo feminino tratado com total desprezo', diz delegada sobre assassinato em VG

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Yuri Ramires e Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

Delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirma que o assassinato brutal de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, 45, é mais um caso de "completa e total objetificação do corpo da mulher". O autor do crime, de 20 anos, foi preso após 7 dias de buscas ininterruptas. 

 

"É mais um caso que a gente vê de uma completa e total objetificação do corpo da mulher, do descarte da autonomia de vontade do corpo feminino em relação ao que quer e ao que não quer fazer", disse a delegada. 

 

Para a delegada, o caso evidencia a violência extrema praticada contra mulheres e a necessidade de responsabilização dos autores.

 

"É um caso revoltante e chocante. Nós não paramos enquanto não encontrarmos esses agressores, principalmente aqueles que tratam o corpo feminino e as mulheres com tamanho desprezo e crueldade", declarou.

 

Ela ainda chama atenção para o machismo e misoginia no caso da pequena Olga Beatriz Santos da Silva, 12 anos, assassinada pelo próprio pai, Claudinei da Silva, 42, na noite de domingo (7), dentro de casa, em Várzea Grande, após ele ver uma troca de mensagens da menina com um rapaz. 

"São dois casos. Ontem a gente teve um outro, que mostra o quanto é difícil ser mulher na sociedade. Um pai que mata uma filha, porque a filha expressa os seus primeiros desejos amorosos, porque ela não tem autonomia de vontade. Ela não foi orientada; ela foi punida por se expressar, por começar a se desenhar como uma mulher perante a sociedade", finalizou.

 

Investigação

Segundo a investigação e com base no depoimento do preso, Gabryel Junio de Almeida Dirceu, a vítima foi assassinada após desistir de manter relações sexuais com o suspeito, mesmo depois de ambos terem combinado um programa em troca de dinheiro e drogas.

 

"Por esse motivo, ele foi autuado pelo crime de feminicídio", afirmou Jéssica Assis. De acordo com a investigação, Josivany e Gabryel não se conheciam. Eles se encontraram na noite de 31 de maio, em uma praça na região central de Várzea Grande.

 

Conforme o depoimento do suspeito, os dois combinaram um programa sexual e seguiram para uma residência abandonada, onde consumiram drogas.

 

No entanto, antes do ato sexual, a vítima mudou de ideia e decidiu não prosseguir. Segundo a delegada, foi nesse momento que teve início a violência.

 

"A vítima se arrependeu. Chegou a consumir a droga em uma residência abandonada e depois falou que não queria mais", relatou.

 

Imagens de câmeras de segurança mostram Josivany caminhando pela rua ao lado de Gabryel pouco antes do crime. Nas gravações, o suspeito aparece empurrando a vítima e a conduzindo para uma área de mata, onde ela foi atacada.

 

Em depoimento, Gabryel alegou que a mulher o teria ameaçado com uma faca. A versão, porém, é contestada pela investigação. Segundo a delegada, além de as imagens mostrarem o suspeito carregando a bolsa da vítima, os vídeos indicam que ela tentava deixar o local e não consentia com a relação sexual.

 

"Ele disse que falou para ela, 'agora você vai, já consumiu a droga, eu te paguei'. Isso demonstra justamente o desrespeito à vontade da vítima e à sua autonomia", destacou a delegada.

 

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a afirmação do próprio suspeito de que ateou fogo no corpo da vítima quando ela ainda estava viva.

 

Inicialmente, a Polícia Civil trabalhava com a hipótese de ocultação de cadáver. Contudo, diante das novas informações, a DHPP apura se o caso também poderá envolver crimes como tortura, além do feminicídio.

 

As investigações apontam ainda que Gabryel tentou dificultar sua identificação após o crime. Imagens de monitoramento mostram que ele entrou no terreno baldio usando uma roupa e deixou o local cerca de uma hora depois com vestimentas diferentes.

 

Segundo a polícia, o suspeito foi até uma casa abandonada nas proximidades para trocar de roupa e, posteriormente, descartou as peças utilizadas durante a ação criminosa.

 

Preso na segunda-feira (8), Gabryel foi autuado por feminicídio. A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Josivany.

Crime

No dia 1º de junho, o Corpo de Bombeiros foi acionado para combater um incêndio em um terreno baldio, no bairro Centro-Sul, em Várzea Grande. Após controlar as chamas, os bombeiros encontraram um corpo do sexo feminino parcialmente carbonizado. 

 

Assim que foi acionada sobre os fatos, a equipe da DHPP foi até o local, onde os policiais constataram que a vítima estava sem vestimentas, apresentava sinais de carbonização parcial e lesões na região da cabeça, além de haver indícios de tentativa de ocultação do cadáver, que estava coberto por um tanque de lavar roupas danificado. 

 

A vítima foi posteriormente identificada pelo Instituto Médico Legal como Josivany Borges de Amorim Rodrigues, moradora do bairro Costa Verde, em Várzea Grande. 

 

Desde a localização do corpo, a DHPP realizou diversas diligências para esclarecer a autoria do crime. Foram coletadas imagens de câmeras de segurança, identificados locais frequentados pelo suspeito e levantadas informações em pontos da região de Várzea Grande conhecidos pela presença de pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

 

Durante o deslocamento para a DHPP, o suspeito decidiu colaborar com as investigações, confessou a prática do feminicídio e indicou o local onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do crime. 

 

Contou a dinâmica

Após ser preso nesta segunda-feira (8), no Dom Aquino, durante o deslocamento para a DHPP, o suspeito decidiu colaborar com as investigações, confessou a prática do feminicídio e indicou o local onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do crime. 

 

Os objetos foram encontrados em uma residência abandonada localizada na avenida Filinto Müller, em Várzea Grande, e apreendidos para perícia. 

 

O suspeito foi conduzido à DHPP, onde foi interrogado pela delegada Jéssica Cristina de Assis e autuado em flagrante por feminicídio consumado. No interrogatório, ele disse que manteve relações sexuais consentidas com a vítima, momento em que, durante o ato, ela tentou atacá-lo com uma faca, com o fim de roubar a sua droga.

 

Diante da gravidade dos fatos, a delegada representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sendo posteriormente o preso colocado à disposição da Justiça.

 

As investigações prosseguem para conclusão do inquérito policial e esclarecimento completo das circunstâncias e motivação do crime.

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