IMPACTOS E INDENIZAÇÕES 02.03.2026 | 18h25

ana.frutuoso@gazetadigital.com.br
Ronaldo Mazza/ALMT
A situação da Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada no Rio Teles Pires, em Itaúba, a 599 km de Cuiabá, voltou ao centro do debate na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após a identificação de falhas nos drenos da barragem, ainda em agosto de 2024. O problema exigiu obras de reparo e o rebaixamento do nível do reservatório para diagnóstico e correção da empresa proprietária Axia Energia, ex-Eletrobras, o que motivou a criação de uma Câmara Setorial Temática para fiscalizar as intervenções, seus impactos e indenizações.
As falhas levaram à necessidade de reduzir o nível do lago em 6 metros para garantir a segurança da estrutura que saiu de estado de "alerta" para "atenção" indicando redução do risco estrutural. Na segunda-feira (23), a empresa começou o reenchimento do reservatório, conduzido de forma gradual e controlada com limite de 25 centímetros por dia, seguindo lógica adaptativa e priorizando a segurança das pessoas, do meio ambiente e do empreendimento. Em nota, reforçou que a população deve "acompanhar os comunicados oficiais e adotar cuidados típicos do período chuvoso".
Leia também - Alex Rodrigues troca de partido e deixa o PV rumo ao Podemos em Mato Grosso
A medida, embora considerada técnica e preventiva, provocou impactos ambientais, sociais e econômicos na região norte do estado.
“Os danos existiram porque havia atividades econômicas, não só pesqueiras ribeirinhas, áreas de lazer, pousadas ao redor, porque hoje a barragem da UHE Colíder é um dos grandes polos turísticos da região norte do estado de Mato Grosso e, por conta do rebaixamento, houve uma queda na frequência de turistas. Muita gente perdeu dinheiro”, explicou Diego
Guimarães, em entrevista ao Jornal do Meio-Dia de quinta-feira (26).
Diante dos prejuízos, a Câmara Setorial, requerida pelo deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos), foi criada para monitorar tanto as obras de reparo na barragem quanto a compensação dos danos causados. De acordo com o parlamentar, já há tratativas em andamento para indenizar os afetados.
“Foi autorizado pela diretoria da Eletrobras, que é a subsidiária, para que eles possam dialogar diretamente e buscar entendimento com os particulares quanto à reparação dos danos. E por isso nós pedimos a prorrogação da Câmara Setorial por mais 180 dias, que nós vamos acompanhar até o final”, detalha o parlamentar.
Danos ambientais e sociais estão sendo discutidos entre o Ministério Público de Mato Grosso, prefeituras e empresas. A Câmara Setorial Temática deve permanecer em funcionamento nesse período para acompanhar de perto a evolução das obras e das negociações, com o objetivo de garantir a segurança da barragem e a devida compensação às comunidades impactadas.
Dados do Grupo de Pesquisa Educação, Mineração e Território (EduMiTe), da Universidade Federal de Minas Gerais, apontam que Mato Grosso apresenta fragilidades nas informações sobre segurança de barragens. Em 2025, o estado figurou entre os que mais registraram estruturas, somando 180 barragens e 11 novos cadastros em cinco municípios. Desse total recente, quatro apresentam método construtivo classificado como indefinido ou desconhecido, o que acende alerta sobre a qualidade dos dados de risco.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.