DEU EM A GAZETA 28.10.2026 | 06h59

pablo@gazetadigital.com.br
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A crise política que assombra a Câmara Municipal de Várzea Grande subiu a temperatura e descambou de vez para a baixaria explícita no plenário. Sob o fantasma sufocante da Operação Cathedra Venalis, que investiga 13 parlamentares por esquemas de corrupção, o Poder Legislativo virou uma verdadeira rinha de galo, tomada por trocas de ofensas ríspidas, lavagem de roupa suja ao vivo e ameaças veladas de polícia.
O estopim do novo capítulo desse espetáculo grotesco foi a cobrança do vereador Bruno Rios (PL), líder da prefeita Flávia Moretti, para destravar pareceres empacados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A reação da vereadora Gisa Barros (Pode) veio direto na jugular, sem qualquer filtro diplomático ou decoro: “Bruno, você é um moleque, mentiroso, e tem essa fama na cidade. Você tem o costume de vir fazer show nesta tribuna e sair correndo igual um moleque. Respeita os colegas”, disparou a parlamentar, acusando o Executivo de enviar cerca de oito ‘projetos mambembes, repletos de erros crônicos e sem a documentação básica’.
O bate-boca ganhou reforço imediato do vereador Alessandro Moreira (MDB), que entrou no ringue e deu o golpe de misericórdia ao carimbar o colega de “fofoqueiro” e “desagregador”, sacramentando de vez o nível rasteiro do debate local. Mas o ‘verdadeiro veneno’ da sessão escorria mesmo nos bastidores. Enquanto o plenário pegava fogo, o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), vocalizou abertamente que avalia acionar a Justiça e registrar um boletim de ocorrência contra o delator do esquema, o vereador Caio Cordeiro (Novo).
Investigado pelo Gaeco por suposto pagamento de mensalinho e compra sistemática de votos, batizada de ‘pacuzinho , Cerqueira reage com fúria às acusações de que teria oferecido até R$ 500 mil por cabeça na nebulosa negociação envolvendo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG). Para piorar o cenário de terra arrasada, as apurações apontam ainda um plano nefasto arquitetado nos corredores obscuros para cassar a prefeita, manobra que colocaria o próprio presidente da Câmara no topo da cadeira do Executivo.
OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS
A Operaçao Cathedra Venalis foi deflagrada dia 20 de outubro e cumpriu 30 mandados de busca e apreensao em endereços de Várzea Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimaraes. A eleição que está no centro da apuração ocorreu em maio, quando Cerqueira foi reeleito por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol (PL). O pleito acabou anulado pelo STF em razao da antecipação da escolha da Mesa Diretora, cuja posse estava prevista para janeiro de 2027.
Entre os vereadores alvos da operaçao estão Wanderley Cerqueira, Alessandro Moreira, Braz Jaciro, Cilcinho, Wender Madureira, Sargento Galibert, Miguelzinho, Lucélia Oliveira, Kleberton Feitoza, Raul Curvo, Enfermeiro Emerson, Gisa Barros e Rogerinho Dakar.
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