votação adiada de novo 24.06.2026 | 13h00

laisa@gazetadigital
João Vieira
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) adiou a votação sobre a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina, que saltará de 30% para 32%. No sábado (20), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que era prevista a aprovação para esta quarta-feira (24), consolidando uma proposta que já vinha sendo costurada pelo Ministério de Minas e Energia.
Segundo o vice-presidente, a ampliação da fatia de biocombustível no combustível fóssil terá reflexo direto no bolso do consumidor, além de gerar ganhos sustentáveis e impulsionar o agronegócio.
“Tem muito etanol de milho. [O país] produz o etanol e produz o DDG (Grãos Secos de Destilaria). Então, passa a gasolina que tinha 27,5% de etanol e passou para 30%, agora passa para 32%. Isso ajuda a gasolina a ficar mais barata, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria, que vão fazer etanol combustível e vão fazer ração animal”, disse Alckmin.
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A medida atende a uma reivindicação direta do setor produtivo de biocombustíveis, apresentada recentemente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Embora a legislação permita um teto de até 35% de mistura, Silveira pontuou que os estudos técnicos atuais dão total aval para o avanço seguro até os 32%.
O impacto financeiro deve ser sentido rapidamente pelos motoristas. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, explicou que, como o litro do etanol custa significativamente menos que o da gasolina, o acréscimo de 2% na mistura se traduzirá em alívio nas bombas.
De acordo com Gussi, a viabilidade técnica da mudança já foi testada com sucesso quando houve o aumento anterior para 30%. Ele destacou ainda que a autonomia do biocombustível protege o mercado interno, que, nos últimos meses, apresentou que a diferença de preço entre os dois produtos gerou uma economia de cerca de R$ 2 bilhões aos consumidores e evitou um gasto de R$ 8 bilhões do país com importações.
Além disso, a injeção de mais etanol minimiza o impacto das oscilações de preços internacionais causadas por conflitos geopolíticos, como os recentes embates envolvendo o Irã.
“É segurança energética, é modicidade no preço do combustível, é descarbonização, é desenvolvimento nacional, é mais plantio, é mais emprego, é mais renda. São políticas públicas focadas no desenvolvimento do país”, reforçou o ministro Alexandre Silveira.
A alteração terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período pelo CNPE. De acordo com as projeções do governo federal, a medida deve enxugar a necessidade de importação de gasolina entre 450 milhões e 500 milhões de litros por mês, volume suficiente para zerar a dependência externa e colocar o Brasil em patamar de autossuficiência.
A proposta também desenha uma melhora logística para o setor energético nacional, já que vai liberar braços da infraestrutura portuária e de transporte hoje dedicados à importação de gasolina, otimizando o fluxo de outros combustíveis essenciais, como o diesel.
A estratégia faz parte das diretrizes fixadas pela Lei do Combustível do Futuro, programa focado na descarbonização da matriz de transportes e expansão das fontes renováveis. Sob esse mesmo guarda-chuva regulatório, o percentual de etanol já havia sido elevado de 27,5% para 30% em agosto de 2025.
A consolidação do etanol de milho sustenta a viabilidade técnica desse novo salto. O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, projeta um acréscimo de mais de 4 bilhões de litros de etanol na produção deste ano, impulsionado pelas políticas estruturadas para o setor. Estimativas da Unica indicam que a produção nacional da variedade de milho deve alcançar 9 bilhões de litros, abocanhando mais de um quarto de todo o mercado de etanol do país.
Nesse tabuleiro, o Centro-Oeste lidera isolado, tendo Mato Grosso como o principal polo do país. O estado responde sozinho por cerca de 70% de toda a oferta nacional de etanol de milho. Na última safra registrada, as usinas mato-grossenses cravaram a marca histórica de 5,6 bilhões de litros configurados, com previsão de crescimento superior a 16% para os próximos ciclos.
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