'PREFEITO NÃO DIALOGA' 02.07.2026 | 11h22

redacao@gazetadigital.com.br
Montagem GD
José Antônio Ribeiro, um dos herdeiros de João Antônio Pinto, morto durante uma ação da Polícia Civil na região do Contorno Leste, voltou à Câmara de Cuiabá nesta quinta-feira (2) para cobrar uma solução definitiva para o impasse envolvendo as ocupações irregulares na área. Em entrevista à imprensa, José acusou o prefeito Abilio Brunini (PL) de se recusar a dialogar com a família e afirmou que a postura da gestão municipal tem incentivado novas invasões.
O herdeiro foi convidado pela vereadora Maysa Leão (Republicanos), que defendeu uma articulação entre Prefeitura, família proprietária e demais órgãos envolvidos para encerrar o conflito. Segundo a parlamentar, a família já apresentou uma alternativa para atender parte das famílias em situação de vulnerabilidade sem desrespeitar o direito de propriedade.
“A família destinou uma área de 57 mil metros quadrados, suficiente para abrigar as famílias vulneráveis identificadas pelo levantamento da SETASC. O que estamos pedindo é que o prefeito sente à mesa e ajude a construir essa solução. Não podemos permitir que essa situação seja normalizada”, afirmou Maysa.
A vereadora ainda alertou que, caso não haja avanço nas negociações, a Câmara pretende adotar outras medidas, como a realização de audiência pública e o encaminhamento de representação ao Ministério Público. Ela também afirmou haver indícios de atuação de grupos ligados ao crime organizado e de especulação imobiliária nas ocupações.
José Antônio relembrou que esteve na Câmara em dezembro do ano passado para desmentir informações de que a família negociaria a venda da área ao município. Segundo ele, a reunião com o prefeito nunca ocorreu e, desde então, Abilio tem se recusado a receber os proprietários.
“O prefeito não nos recebeu e novamente se nega a aceitar a nossa doação. Com essa atitude, as invasões estão avançando. Quando o poder público passa a impressão de que vai resolver o problema legitimando a invasão, ele acaba incentivando crimes ambientais, invasões e ameaças”, criticou.
O empresário também esclareceu que a disputa judicial não envolve mais a propriedade da área, mas sim os critérios utilizados pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (SETASC) para identificar as famílias vulneráveis que poderão ser contempladas em eventual reassentamento.
Segundo ele, há decisão favorável à reintegração de posse, mas o cumprimento da medida está suspenso enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa questionamentos relacionados ao relatório elaborado pela comissão estadual.
“Existem cerca de 200 famílias vulneráveis identificadas pela SETASC. O mérito ainda será julgado pelo Supremo. A discussão hoje não é sobre quem é o dono da área, porque isso já está comprovado. O debate é sobre o levantamento das famílias que terão direito ao reassentamento”, afirmou.
Ao final, José Antônio voltou a acusar o prefeito de assumir uma posição favorável aos ocupantes da área. “O prefeito Abilio resolveu entrar nessa briga do lado dos invasores”, declarou.
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