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‘QUEM COMANDOU FOI BRASÍLIA” 24.06.2026 | 17h53

Max Russi reclama de boicote na ferrovia e Júlio ameniza; 'festa mais da esquerda'

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Laisa Stofel e Fred Moraes

redacao@gazetadigital.com.br

Montagem GD

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O deputado estadual Júlio Campos (União) minimizou o descontentamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após nenhum representante ser convidado a discursar no evento oficial de inauguração do primeiro trecho da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo. A solenidade, realizada no último sábado (20), contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e gerou forte incômodo no presidente da Casa, Max Russi (Podemos), que classificou a exclusão como um desrespeito ao Poder Legislativo.

 

“Porque a festa foi mais do PT, do governo federal, do que do estado de Mato Grosso. Há de se reconhecer, tanto é que, pelo cerimonial, não constava, mas foi chamado o ex-governador Pedro Taques junto com o ex-governador Mauro Mendes. E, na oportunidade também, lembrando que eu também fui governador, me chamaram para compor, o que não estava previsto, tudo isso. Quem comandou foi Brasília, então não há por que reclamar. Eu acho que nem sabia se o presidente Max teria que falar também. Eu acho que não”, argumentou Júlio Campos nesta quarta-feira (24).

 

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O parlamentar explicou que, por se tratar de uma obra com forte aporte de recursos da União, o Palácio do Planalto assumiu o controle total do palanque, blindando o microfone para lideranças locais e de centro-direita.

 

“Veja bem, o cerimonial foi da presidência da República. É uma obra da iniciativa privada, mas com financiamento do governo federal, por meio do BNDES, que foi o grande financiador. Porque a Rumo não tem recursos de R$ 5 bilhões para aplicar numa ferrovia. Pegou o financiamento, por isso o vice-presidente Alckmin esteve presente. Não constava a palavra do presidente da Assembleia. Somente um representante da bancada federal e o escolhido foi o senador Fávaro, que é o mais próximo do governo federal”, completou.

 

Apesar do tom realista sobre o domínio da esquerda no ato, Júlio amenizou os impactos institucionais e elogiou a cortesia do vice-presidente. Além disso, destacou que essas pequenas discussões não interferem na real participação da ALMT e dos deputados na realização da ferrovia.

 

“São pequenas coisas que não vêm diminuir o mérito da Assembleia Legislativa, que aprovou a lei criando a Ferrovia Estadual Vicente Emilio Vuolo. Então não vejo nada demais. O presidente Alckmin foi muito simpático conosco, nos tratou com muita fidalguia, sem política, mas há de se entender que todo PT, toda esquerda estava lá presente”, concluiu.

 

Max Russi aponta quebra de protocolo e desrespeito à ALMT 

A postura ponderada de Júlio Campos contrasta frontalmente com a reação imediata do presidente do Parlamento, Max Russi. O chefe do Legislativo estadual não escondeu a irritação com o cerimonial de Brasília, apontando que a exclusão dos deputados da lista de oradores principais foi um erro político, uma vez que as mudanças necessárias para viabilizar o projeto dependeram diretamente do crivo dos parlamentares locais.

 

“Eu não diria que boicotou o deputado Max, mas boicotou toda uma instituição. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que tem ajudado muito o Estado de Mato Grosso. Nós fomos os responsáveis por aprovar a Emenda Constitucional 93 de 2020, que deu condição de sair às concessões, a primeira concessão ferroviária estadual do Brasil. Infelizmente, pensou-se pequeno naquele evento. Isso acaba machucando companheiros nossos e cada companheiro que se sente desprestigiado com certeza atinge o presidente. Que eu, como presidente, os tenho como uma mãe ou uma galinha choca, que defende seus pintinhos e afilhados”, disparou Russi nesta terça-feira (23), além de demonstrar-se chateado durante o evento.

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