'Tive vergonha' 27.03.2026 | 18h50

ana.frutuoso@gazetadigital.com.br
Reprodução/Redes sociais
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), participou do 1º Fórum do Protagonismo Feminino: Caminhos e Desafios, que discutiu a violência política de gênero, o protagonismo feminino nas instituições e na construção eleitoral, realizado nesta sexta-feira (27), na Câmara de Cuiabá. Ela afirmou esperar o avanço da investigação contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), por quebra de decoro parlamentar contra ela, e, durante discurso, se emocionou ao falar sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na política.
A gestora relatou que enfrentou situações de violência política de gênero de forma silenciosa dentro do gabinete, a ponto de sentir vergonha até de contar ao próprio marido o que estava acontecendo. Ela afirmou que o apoio da família e de outras mulheres foi fundamental para continuar e disse que segue firme no cargo, enfrentando as dificuldades em nome da população, especialmente dos mais vulneráveis.
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“Até para mim, ter coragem de falar para ele o que eu passava no gabinete, eu tive vergonha. A violência política de gênero é silenciosa, machuca, e eu sigo firme no propósito, enfrentando tudo e todos”, disse a prefeita, com lágrimas nos olhos.
O evento contou com a presença de autoridades e servidoras da Casa de Leis. O debate, pautado na escuta ativa, buscou mecanismos para ampliar a participação das mulheres nos espaços públicos de poder.
O Partido Liberal (PL) protocolou, na terça-feira (24), um pedido de cassação contra o presidente da Câmara após uma declaração considerada ofensiva durante discussão com o vereador Bruno Rios (PL). Na ocasião, o parlamentar afirmou: “quer leitear a prefeita? Leiteia de outra forma”, o que gerou forte repercussão e críticas, especialmente de lideranças femininas. Paralelamente, a prefeita apresentou uma queixa-crime contra ele.
O pedido do PL, assinado pelo presidente estadual da sigla, Ananias Martins Filho, aponta que o episódio não foi isolado, mas parte de uma postura recorrente de hostilidade, possivelmente ligada ao resultado das eleições de 2024. A prefeita afirmou esperar que a Câmara abra uma comissão processante para investigar o caso e defendeu que os vereadores cumpram seu papel institucional, além de criticar a interferência de questões pessoais na atuação legislativa.
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