Homem bomba 18.09.2018 | 07h50
Reprodução
A 20 dias das eleições, o clima tem esquentado entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso. Críticas, acusações e até ofensas têm sido o mote das campanhas eleitorais dos 3 principais candidatos à majoritária: Mauro Mendes (DEM), Pedro Taques (PSDB) e Wellington Fagundes (PR). Apesar das diferentes posições políticas, os 3 têm em “comum” o mesmo discurso em torno da atuação, da corrupção e até do apoio do grupo político do ex-governador Silval Barbosa (sem partido) – em uma tentativa de atingir a imagem do concorrente.
Por essa razão, o
fez um levantamento sobre a proximidade entre os 3 candidatos e Silval Barbosa, com base na delação premiada do ex-governador, firmada com a Procuradoria Geral da República (PGR) e validada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Fux, em agosto de 2017. No acordo, Silval narrou os crimes em troca da redução de pena. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar e é monitorado por meio de tornozeleira eletrônica. Confira alguns episódios que Silval disse narrou sobre os atuais candidatos.
Mauro Mendes – O candidato é citado na delação em casos envolvendo um suposto apoio e empréstimos à campanha eleitoral em 2008, uma mineradora que ambos possuiriam em sociedade e uma suposta reunião com o governador Pedro Taques para tratar da campanha ao governo do estado em 2014.
Campanha eleitoral – Silval disse que foi procurado por Mauro Mendes para que intercedesse para que o PMDB o apoiasse na disputa das eleições à Prefeitura de Cuiabá. Na época, Mendes disputava com o atual deputado estadual Wilson Santos (PSDB). Após o encontro, Silval disse que procurou pelo deputado federal Carlos Bezerra, presidente do PMDB, e foi acordado que o apoio seria concedido mediante o pagamento de R$ 4 milhões. Silval afirmou que emitiu uma nota promissória no valor de R$ 4 milhões para garantir que o operador financeiro Junior Mendonça repassasse o dinheiro, sendo que ele teria passado R$ 3,3 milhões ao ex-secretário Eder Moraes, responsável por arrumar tal montante. Os outros R$ 700 mil foram obtidos por Junior Mendonça junto a uma factoring em Cuiabá. Esse empréstimo só foi pago em 2009, mediante propina de um esquema de corrupção envolvendo a empresa Hidrapar, segundo Silval.
Empréstimos – Além disso, Silval afirmou que foi avalista de um empréstimo efetuado por Mendes perante Junior Mendonça, no montante aproximado de R$ 2.5 milhões para essa campanha e também avalizou um cheque de R$ 1 milhão de Mendes. Silval, contudo, afirmou que não sabe como Mendes pagou o suposto empréstimo.
Leia mais - Silval diz que avalizou empréstimo de R$ 3,5 milhões para Mauro Mendes
Garimpo – Silval disse ainda que tinha um garimpo na área da Ajuricaba, município de Nossa Senhora do Livramento (42 Km ao Sul de Cuiabá), com aproximadamente 3 mil hectares, em sociedade com Mauro Mendes. A compra foi acordada por R$ 20 milhões após Silval garantir ao proprietário da terra que ele teria prioridade em negócios com o governo de Mato Grosso. Porém, a sociedade foi dissolvida e Silval disse que trocou sua parte por 1.200 hectares da mesma área, sendo que parte dessa área foi trocada posteriormente por uma planta montada e respectiva autorização para licença de lavra do subsolo. Silval diz ainda que também foi adquirido um avião Premier, prefixo PRVMD, no valor de R$ 4,8 milhões na sociedade.
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Pedro Taques– O candidato é citado na delação nos casos envolvendo supostas reuniões entre ele, Mauro Mendes e Silval para tratar do pedido de apoio financeiro de R$ 20 milhões à campanha de Taques, além de um suposto pagamento de R$ 200 milhões de um precatório ao ex-secretário Pedro Nadaf.
Campanha eleitoral – Silval disse que na véspera da campanha eleitoral do governo do Estado, em 2014, foi procurado por Mendes para que se aproximasse do então candidato Pedro Taques, em razão das chances que ele tinha de se tornar governador. Taques disputava com Lúdio Cabral (PT) e tinha Mendes como coordenador financeiro. Segundo Silval, Mendes se reuniu com ele em nome de Taques e pediu auxílio financeiro à campanha no valor de R$ 20 milhões. Em contrapartida, se eleito, Taques não iria vasculhar as contas das gestões anteriores. Silval disse ainda que concordou e então Mendes agendou uma reunião entre eles e Taques na casa de Mendes. Na ocasião, Taques teria pedido a Silval para que não investisse na campanha de Lúdio e reafirmado que não iria ficar remexendo nos erros cometidos nas gestões anteriores. Ao final dessa reunião, Silval disse que perguntou a Taques sobre os R$ 20 milhões que Mendes havia pedido e, Taques, dito para que ele resolvesse com Mendes.
Em outra reunião entre eles, Silval afirmou que Taques reclamou que alguns secretários do governo estavam auxiliando Lúdio e, inclusive, alguns estavam distribuindo panfletos apócrifos denegrindo sua imagem. Silval, então, disse que teve que falar com os secretários para que não se intrometessem na campanha. Após essa ocasião, Silval foi informado que Mendes havia deixado a coordenação financeira, que passou a ser responsabilidade de Allan Malouf, que disse que os R$ 20 milhões deveriam ser entregues a ele. Em razão da desconfiança, Silval se reuniu com Taques mais uma vez para confirmar a mudança e Taques teria agradecido Silval pela campanha de Lúdio estar financeiramente tímida, segundo o ex-governador.
Ainda segundo Silval, o ex-presidente do Dnit, Luiz Antonio Pagot, teria chegado a pedir R$ 2 milhões e 1 milhão de litros de combustível para finalizar a campanha de Taques. Porém, segundo Silval, nenhum recurso financeiro foi passado para Taques.
Precatório de R$ 200 milhões – Silval disse ainda que o ex-secretário Pedro Nadaf afirmou que já tinha acordado com Taques que, se eleito, ele agilizaria o pagamento de um precatório no valor de R$ 200 milhões. Para isso, Silval teria que deixar todos os pareceres favoráveis para o pagamento.
Liberdade de Silval – O ex-governador também citou que, quando esteve preso em 2017, recebeu a visita do então senador Cidinho Santos (PR) e ele teria dito que Taques estaria disposto a ajudar a libertar Silval através de um recurso na Justiça para anular a Operação Ararath, que motivou a prisão do ex-governador.
Wellington Fagundes – O candidato é citado na delação nos casos envolvendo supostos crimes de corrupção passiva no Programa de Governo MT Integrado, no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), além de supostos pedidos de propina às empreiteiras.
MT Integrado – Silval disse que o programa MT Integrado foi iniciado em 2010 e, um ano depois que começaram as obras de pavimentação dos municípios, ele foi procurado pelo então deputado federal e hoje senador Wellington Fagundes sob a alegação de que a secretaria de Infraestrutura pertencia ao seu partido, o PR, em razão dos acordos políticos durante a eleição. Por isso, Wellington Fagundes teria pedido a nomeação de Cinésio Nunes de Oliveira como secretário, além de vantagens indevidas daquela secretaria. Ficou acordado que um percentual dos valores repassados pelo Estado para 3 construtoras seriam repassados para Wellington através de Cinésio. Não há informações se, de fato, a propina foi repassada ou qual o seu valor.
Obras – Silval afirmou que, em 2011, Wellington pediu em torno de R$ 1 milhão da empreiteira Trimec para intermediar a liberação de um recurso do Ministério do Turismo às obras de duplicação da Rodovia MT-251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, e da obra na rodovia que liga a BR-364 até o Distrito de São Lourenço, em Rondonópolis. Wellington, segundo Silval, também teria pedido que o proprietário da Trimec entrasse em contato com a empresa Cavalca, para que esta também pagasse propina. As empreiteiras teriam chegado a fazer pagamentos a Wellington, segundo Silval, porém o ex-governador não soube informar se o valor foi pago na integralidade e nem se Wellington repassou ao Ministério do Turismo ou ficou para si.
Doações de campanha – Silval disse também que em 2010 conheceu os representantes da empresa Delta, através de Wellington Fagundes, e que, por intermédio dele, fez as concessões de 10 a 12 estradas em Mato Grosso à empresa. Em contrapartida, a empresa teria feito doação para campanhas de Silval e Wellington. O ex-governador, porém, não soube dizer o valor doado.
DNIT – Já em 2013 Wellington teria pedido R$ 2 milhões para intermediar a liberação do repasse do Dnit às obras de viadutos e trincheiras da Avenida Miguel Sutil e Avenida da FEB, que estavam em atraso, segundo Silval. Além disso, Wellington teria indicado uma pessoa para receber a propina. Silval disse ainda que foram repassados R$ 1 milhão, através da extinta Secopa, a pessoa indicada por Wellington e os repasses do Dnit foram regularizados. Porém, Silval não soube informar qual benefício de Wellington nesta situação.
Liberdade de Silval – O ex-governador também citou que, quando esteve preso em 2017, recebeu a visita do então senador Cidinho Santos (PR), que teria dito que Wellington estaria disposto a ajudar a libertar Silval através de um recurso na Justiça para anular a Operação Ararath, que motivou a prisão do ex-governador.
OUTRO LADO – Na ocasião da divulgação dos fatos descritos por Silval, todos os candidatos aqui citados se defenderam por meio de nota à imprensa e negaram veementemente todos os ilícitos narrados pelo ex-governador.
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