DISPUTA PELA MESA 16.07.2026 | 11h20

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Montagem GD
Aliado do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), desde o início da legislatura, o vereador Rafael Ranalli (PL) fez críticas à atuação do chefe do Executivo na disputa pela presidência da Câmara Municipal e revelou que chegou a aconselhá-lo a reduzir a pressão sobre os parlamentares. A declaração foi dada nesta quarta-feira (16), diante da postergação de votação do projeto de resolução do vereador Marcos Brito Junior (PV), que permitiria recondução de membros da Mesa Diretora ao mesmo cargo.
Conforme Ranalli, a participação do prefeito nas articulações em favor da reeleição da presidente Paula Calil (PL) extrapolou os limites e acabou causando desconforto entre vereadores da própria base.
"É ruim a interferência, mas eu critiquei. Se puxarem minhas falas, eu sou um dos que sempre pedi ao Abilio não interferir tanto assim. Eu falei: 'Abilio, se abstém um pouco. Está muito descarada essa pressão'. Eu sempre toquei nessa tecla. Nas reuniões que a gente tem da base com o prefeito, afirmou.
Embora teça críticas, o parlamentar reconheceu que é natural o Executivo buscar maioria no Legislativo para aprovar projetos de interesse da gestão, mas avaliou que, neste caso, a atuação do prefeito foi excessiva.
"Ninguém é menino para achar que o Executivo, em todas as instâncias, não tenta influir no Legislativo. Isso é fato. Quer ter maioria para aprovar seus projetos futuros, isso é natural. Porém, nesse caso específico, essa participação foi muito incisiva", disse.
O vereador também comentou a decisão liminar que suspendeu temporariamente a votação da proposta que altera o quórum necessário para a eleição da Mesa Diretora. Segundo ele, a medida dá um "respiro" ao processo, mas o ideal é aguardar o julgamento do mérito da ação antes de levar o projeto ao plenário. Na avaliação de Ranalli, o adiamento também abre espaço para novas articulações políticas entre os grupos que disputam o comando da Câmara.
"É ruim para o Parlamento essa morosidade, mas, para ter uma definição definitiva, vale a pena esperar. Tomara que julguem rápido o mérito e, se não votar hoje, que a gente vote nas primeiras semanas após o recesso. Acho que vai valer esse tempo para cada lado procurar mais apoio. Poucas peças ainda podem se movimentar".
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