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'dinheiro do governo federal é nosso' 14.06.2026 | 08h01

Vereador detona prefeito e cobra empenho para concluir obras no Contorno Leste

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Laisa Stofel

laisa@gazetadigital

Fred Moraes/Gazeta Digital

Fred Moraes/Gazeta Digital

O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) rejeitou a justificativa dada pelo prefeito Abílio Brunini (PL) para o não andamento de regularização e melhorias na região do Contorno Leste. O Executivo alega não ter dinheiro para as ações, e o parlamentar cobra uma postura mais agressiva na busca por recursos para a conclusão das obras no local. Atualmente, o projeto encontra-se paralisado em uma situação que combina falta de orçamento, investigações policiais por desvio de verbas e a necessidade de R$ 100 milhões para desapropriações, restando mais de 60% da estrutura por executar.

 

Na Câmara, o parlamentar rebateu as declarações do prefeito, que havia explicado a inviabilidade de mudanças na região por conta da escassez do orçamento próprio municipal. Monteiro argumentou que o papel do gestor de uma capital é articular politicamente e “não apenas relatar problemas”, eximindo o Legislativo da culpa pelo abandono do bairro periférico.

 

"Escolhido pelo povo. Por 50%, mais um da população para administrar o dinheiro, o meu, o seu e o imposto de todo mundo, é o prefeito da capital. Aí ele não faz o serviço dele, que é o Contorno Leste, e é a culpa dos vereadores que não estão fiscalizando, sendo que a gente desce o cacete nisso todo dia? Aí não tem condição", disparou o vereador.

 

Leia também - Pivetta convoca 283 policiais penais e autoriza novo concurso em MT.

 

Monteiro sugeriu ainda que a prefeitura busque alternativas fora do caixa de Cuiabá, mencionando linhas de crédito subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou repasses diretos da União. Ele reforçou a necessidade de o gestor cobrar o governo federal, independentemente de bandeiras partidárias.

 

"Eu já disse, o dinheiro do governo federal não é do Lula. O dinheiro do governo federal é nosso. Tem que voltar para o Mato Grosso, e o prefeito tem a obrigação de ir lá, articular com o presidente da República para receber recursos, mesmo que seja um empréstimo contratado subsidiado via BNDES, o que seja, que vá lá e faça", completou o parlamentar.

 

As cobranças do vereador colidem com o cenário descrito pelo prefeito Abílio Brunini, que apontou barreiras jurídicas e financeiras intransponíveis no momento. O liberal relembrou que o contrato original com a empresa executora virou alvo de um inquérito policial e que o município precisa aguardar o desfecho legal antes de tomar novas providências, destacando também o alto valor necessário para dar continuidade e indenizar as mais de mil famílias de baixa renda que aguardam a regularização fundiária.

 

"Precisa de quase R$ 100 milhões, porque você tem que desapropriar algumas áreas ali ainda no entorno e buscar uma solução para alguns problemas. O governo do Estado se comprometeu a fazer da Avenida do CPA até a MT-251. Ele está em fase de análise do projeto e desenvolvimento do projeto para isso", explicou o prefeito no começo do mês.

 

A crise exposta pelo gestor serviu de gancho para Daniel Monteiro criticar o modelo de gestão da atual administração, questionando a eficiência da equipe do prefeito ao apontar o acúmulo excessivo de funções nas secretarias.

 

"Vou fazer um desafio. Quantas capitais no Brasil têm um secretário de educação que é, ao mesmo tempo, secretário de obras e, ao mesmo tempo, secretário de defesa urbana? Não tem, né? Pois é, olha a prioridade que estão dando para a educação", concluiu o vereador, afirmando que esse cenário justifica o fato de a educação estar “em frangalhos” e a saúde em uma verdadeira vergonha, enquanto os moradores da capital padecem.

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