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GOVERNO NA MIRA 30.07.2026 | 07h24

Wilson prevê CPI dos consignados na AL; ‘não vai escapar’

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Fred Moraes/ GD

Fred Moraes/ GD

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) afirmou que o escândalo envolvendo empréstimos consignados de servidores públicos de Mato Grosso deverá, em algum momento, ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa (ALMT). Segundo ele, a investigação legislativa pode não ocorrer neste momento, mas considera inevitável que o caso seja apurado pelo Parlamento.

 

O requerimento para a chamada CPI dos Consignados voltou a circular no início deste mês, liderado pelos deputados Janaina Riva (MDB), Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT) e pelo próprio Wilson Santos. Segundo os parlamentares, outros dois deputados já teriam aderido ao pedido, embora os nomes ainda não tenham sido divulgados.

 

“Esse assunto, mais dia menos dia, será aberto. Esse assunto não vai escapar de uma CPI, seja neste governo, no ano que vem, ou daqui a dois, três, esse assunto um dia será passado a limpo”, declarou nesta quarta-feira (29), durante entrevista.

 

Wilson defendeu que, antes da instalação da comissão, o foco deve estar nas decisões do Poder Judiciário para interromper os descontos considerados irregulares nos contracheques dos servidores.

 

“O que nós precisamos agora é que o Poder Judiciário, e só ele, tome decisões no sentido de suspender os descontos, porque já está comprovado de forma contundente de que o sistema bancário, aliado com alguns escritórios de advocacia e agentes públicos, formaram uma organização criminosa, e essa organização criminosa roubou, de maneira intensa, escandalosamente, mais de 60 mil servidores públicos de Mato Grosso”, afirmou. 

 

A proposta pretende investigar a ampliação da oferta de empréstimos consignados aos servidores estaduais, especialmente nas modalidades de cartão de crédito consignado e cartão-benefício, além de apurar possíveis responsabilidades do Governo de Mato Grosso na regulamentação desses contratos.

 

Os parlamentares favoráveis à comissão sustentam que o pedido ganhou força após a divulgação de informações sobre uma investigação conduzida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) relacionada a suposto favorecimento ao Banco Master, em 2023, quando decretos estaduais autorizaram a oferta dessas modalidades de crédito aos servidores.

 

Além disso, em 15 de julho uma operação da Polícia Federal (PF), que investiga um grupo econômico suspeito de lesar servidores públicos, aposentados e pensionistas de Mato Grosso por meio de contratos de cartão de crédito consignado que, segundo a investigação, funcionavam na prática como empréstimos consignados com juros elevados e mecanismos que dificultavam a quitação da dívida.  

 

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, além do bloqueio de bens dos investigados.  

 

Base vê pouca chance de avanço

 

Apesar da mobilização da oposição, deputados da base governista avaliam que a CPI dificilmente será instalada. O líder do governo na Assembleia, Dilmar Dal’Bosco (União), afirmou anteriormente ao que a investigação perderia o sentido diante das apurações já conduzidas pela Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público.

 

Segundo o parlamentar, a Assembleia pode colaborar com os órgãos de controle fornecendo informações, mas não haveria necessidade de instaurar uma investigação paralela. Ele também argumentou que o calendário legislativo e eleitoral inviabiliza a dedicação dos deputados aos trabalhos de uma CPI neste momento.

 

“O momento é que está todo mundo indo para o recesso e todo mundo vai para a campanha. Não vão ter tempo de se dedicar ao que seria o dia a dia de uma apuração. Então, já meio que nasce morta”, afirmou, acrescentando que acredita que a proposta não deve prosperar.

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