'má escolha das palavras' 24.07.2026 | 18h15

pablo@gazetadigital.com.br
Reprodução
O empresário Thiago Boava (PL), pré-candidato a deputado federal e viúvo da ex-deputada federal Amália Barros (PL-MT), afirmou que o presidente estadual do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, deveria fazer um pedido de desculpas público após declarar que "Deus deu uma mão" ao citar a morte da parlamentar durante evento partidário. O produtor rural amenizou a situação e disse que "prefere acreditar" na má escolha das palavras.
A declaração do dirigente partidário, dada durante os atos preparatórios das convenções eleitorais de 2026, causou mal-estar e forte repercussão negativa nos bastidores da política mato-grossense.
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Apesar do tom crítico em relação à atitude de Ananias, Boava afirmou que não pretende cobrar retratação e atribuiu o episódio a um lapso no uso das palavras.
"Eu entendo aí que o Ananias foi muito infeliz; prefiro acreditar que foi falta de domínio das palavras. A política é muito fria, né? E situações como essa deixam as coisas um pouco desconfortáveis", afirmou o viúvo em áudio.
"Eu prefiro acreditar que foi uma falta de habilidade com as palavras e que, com certeza, um pedido de desculpas cairia muito bem para ele", completou.
Boava ressaltou que, do ponto de vista pessoal e familiar, o gesto não é uma exigência. "Pra mim, eu não preciso desse pedido de desculpas; acho que a mãe dela também não precisa. A história da Amália foi muito bonita. Cabe a ele pedir desculpa. Se ele acha que não precisa, como é que eu vou exigir dele algo que só pertence a ele? Acho que, no lugar dele, eu já teria me reparado", disse.
O pré-candidato avaliou ainda o impacto da fala na imagem do próprio dirigente. "Seria bom para ele, para as pessoas olharem para ele com outros olhos, porque elas estão olhando agora para uma pedra de gelo. Mas prefiro ficar no meu silêncio em relação a isso. Ele que saiba o momento ideal."
A fala de Ananias Filho ocorreu durante um discurso partidário recente, ao contextualizar as composições e o fortalecimento do PL para as eleições deste ano. Ao citar a perda de quadros e o cenário eleitoral da legenda, o dirigente mencionou o falecimento de Amália Barros, afirmando que "Deus deu uma mão" na reconfiguração política das candidaturas. Na época, quem assumiu a vaga da política foi Nelson Barbudo, que recentemente trocou o PL pelo Podemos.
A associação entre o falecimento da parlamentar e uma "ajuda divina" para arranjos partidários provocou indignação entre apoiadores da deputada e lideranças regionais.
Morte precoce
Amália Barros morreu em maio de 2024, aos 39 anos, no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde permaneceu internada em estado grave após complicações decorrentes de uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pâncreas.
Durante a internação, a parlamentar passou por procedimentos adicionais, incluindo uma reintervenção cirúrgica e o uso de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), mas não resistiu.
Jornalista por formação e defensora da causa da visão monocular, condição que a levou a perder a visão de um olho, Amália estava em seu primeiro mandato como deputada federal e exercia o cargo de vice-presidente nacional do PL Mulher, figurando como uma das principais aliadas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
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