25.08.2005 | 03h00
Rebeldia, preguiça e mau-humor podem ser confundidos com os sintomas de uma doença que atinge atualmente uma boa parte da população, a esquizofrenia. Sinônimo de total loucura por muitos anos, hoje ela já pode ser bem controlada e o paciente pode até mesmo ser curado.
"Esquizofrenia é um transtorno mental que causa alucinações, delírios e retraimento social e afetivo", esclarece o psiquiatra Rodrigo Bressan. Alucinação acontece quando a pessoa ouve vozes que não existem ou imagina que tem alguém tocando nela. Delírio é quando acredita em uma história fantástica, fora da realidade. E retraimento social e afetivo é quando a pessoa se afasta do convívio com os outros.
Dentre os delírios, os temas do esquizofrênico são vários. Muitos doentes acreditam que estão sendo vigiados por câmeras secretas, que seres extraterrestres estão atrás deles ou que existe uma organização secreta contra eles.
Outras consequências que começam a ocorrer são a diminuição da motivação, o mutismo quando a pessoa não conversa mais e a coordenação motora fica mais lenta. Alguns doentes permanecem um longo tempo em posturas estranhas. Acontece também a ambivalência que é quando a pessoa mostra-se dividida entre dois sentimentos opostos e alterações de cognição, quando os portadores apresentam dificuldades para se concentrar.
"Sabe-se que atualmente uma média de 1% da população sofre de esquizofrenia. É uma doença com causas multifatoriais. Ainda não se sabe ao certo porque ela ocorre. Mas alguns componentes que influenciam são a genética e os fatores ambientes", diz Rodrigo.
Nos fatores ambientais várias coisas podem vir a fazer com que a pessoa desenvolva a esquizofrenia, como traumas psicológicos, infecções virais, fome, estresse, etc.
"Na genética, estudos com gêmeos monozigóticos mostram que se um dos gêmeos tem a doença, há uma chance de 50% de que do outro tenha também. A outra parte dos 50% fica por conta do meio ambiente", relata. A esquizofrenia geralmente começa na terceira década e vida, entre os 20 e 30 anos de idade. E tem uma prevalência maior em homens. Nas mulheres até o tratamento costuma ter um melhor resultado.
Os primeiros sinais de que a doença está acontecendo podem ser uma mudança abrupta de comportamento, apresentação de esquisitices com comportamentos bizarros (como a sensação de estar sendo observado), piora do rendimento dos estudos e no meio profissional e um isolamento social. Estes dois últimos sintomas são muito confundidos com uma simples preguiça ou rebeldia.
Há alguns anos atrás a única solução para o esquizofrênico era ser internado em um hospício. Mas as coisas mudaram. "Hoje 12,5% dos pacientes ficam curados. E no restante, boa parte tem um bom controle", conta o médico.
O diagnóstico em geral é clínico com a história de vida do paciente. O tratamento inclui medicações e psicoterapias em diversas modalidades, envolvendo a família, terapia ocupacional, oficinas de trabalho e grupos de auto-ajuda. "Se a pessoa não for tratada precocemente, a doença se cronifica. Depois a medicação não fará tanto efeito. E o risco de suicídio aumenta assim como o número de hospitalizações", alerta Rodrigo.
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