40 anos de trajetória 27.06.2026 | 09h10

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Divulgação
Com mais de 40 anos de trajetória, Barbieri construiu uma filmografia reconhecida por unir rigor artístico, relevância social e profundo compromisso com temas ligados aos direitos humanos, memória, identidade, meio ambiente, ancestralidade e justiça social. Ao longo da carreira, dirigiu mais de 60 produções entre documentários, séries e longas-metragens, consolidando-se como uma das vozes mais importantes do cinema de impacto no país.
A oficina utilizará como estudo de caso o premiado longa-metragem "Pureza" (2022), protagonizado por Dira Paes e vencedor de 34 prêmios nacionais e internacionais. Baseado na história real de Pureza Lopes Loyola, o filme retrata a luta de uma mãe maranhense que enfrentou fazendeiros e redes criminosas para denunciar a escravidão contemporânea na Amazônia brasileira. A obra tornou-se referência internacional no debate sobre trabalho escravo e direitos humanos.
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Durante quatro encontros, Renato Barbieri abordará diferentes etapas da construção de um filme de impacto social. No primeiro dia, os participantes discutirão pesquisa e roteiro, explorando a dramaturgia construída a partir de fatos reais, ética documental, métodos de investigação e planejamento narrativo. O segundo encontro será dedicado à produção e direção de elenco, incluindo processos de casting inclusivo, ensaios, construção visual e atuação dentro da linguagem cinematográfica.
A terceira aula tratará da direção como elemento integrador dos diversos departamentos de uma produção audiovisual, discutindo escolhas estéticas, construção de cenas-chave e estratégias para criação de experiências cinematográficas imersivas. Já o último encontro será dedicado às estratégias de lançamento, articulação institucional e ampliação do impacto social das obras, abordando financiamento, parcerias, distribuição, indicadores de impacto e ações de pós-lançamento.
A participação de Barbieri no Cinemato acontece em um momento especialmente fértil de sua carreira. Atualmente, o diretor trabalha na pós-produção do longa “Fonte de Pureza”, documentário que amplia a trajetória da ativista Pureza Lopes Loyola e os desdobramentos de sua luta contra o trabalho escravo contemporâneo. Também está em produção "Xamã Eletrônico", longa documental que investiga os cruzamentos entre espiritualidade, ancestralidade, música eletrônica e cultura contemporânea brasileira.
Paralelamente, o cineasta finaliza "Atlântico Negro – África Dentro da Gente", documentário que percorre Brasil, Mali e Senegal para investigar os impactos históricos e contemporâneos do apagamento da ancestralidade africana, reunindo intelectuais, lideranças religiosas, artistas e pesquisadores em uma reflexão sobre identidade, racismo e pertencimento. A obra dialoga diretamente com um dos filmes mais emblemáticos de sua carreira, "Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás" (1998), considerado uma referência nas relações Brasil-África e adotado por universidades, pesquisadores e movimentos sociais em todo o país.
Para 2027, está prevista a estreia nacional de "Tesouro Natterer", documentário vencedor da Competição Brasileira do Festival É Tudo Verdade 2024. O longa apresenta a trajetória do naturalista austríaco Johann Natterer e o maior acervo etnográfico sobre povos indígenas brasileiros existente fora do país, atualmente preservado em museus de Viena. A obra propõe uma reflexão sobre memória, patrimônio cultural, preservação histórica e a possível repatriação de parte desse acervo ao Brasil.
A filmografia de Renato Barbieri inclui títulos fundamentais para a compreensão da identidade brasileira contemporânea, como "Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás" (1998), "Terra de Quilombos" (2002), "Cora Coralina – Todas as Vidas" (2017), "Consciência ao Cubo" (2019), "Ventos que Sopram Pará" (2021), "Pureza" (2022) e "Servidão" (2024), este último considerado uma das mais importantes produções recentes sobre trabalho escravo contemporâneo na Amazônia brasileira.
Antes de consolidar sua carreira no cinema, Barbieri integrou a histórica produtora Olhar Eletrônico, um dos mais influentes laboratórios de inovação audiovisual do Brasil, responsável por renovar a linguagem da televisão e do documentário nacional nos anos 1980. Foi nesse ambiente criativo que dirigiu seus primeiros trabalhos premiados e desenvolveu a linguagem autoral que marcaria sua trajetória nas décadas seguintes.
Radicado em Brasília há mais de três décadas, o cineasta segue defendendo um modelo de produção audiovisual que alia excelência artística, entretenimento e compromisso com a transformação social. Sua participação no Cinemato reforça o papel do festival como espaço de formação, reflexão e fortalecimento do cinema brasileiro contemporâneo.
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