08.07.2004 | 03h00
A figura do tropeiro está intimamente ligada à história do país. Eles foram os responsáveis por transportar em seus braços e no lombo de suas bestas toda a produção do Brasil.E os caminhos não eram nada fáceis. As viagens longas, as estradas precárias, muitas vezes não passavam de trilhas tortuosas e difíceis. Levar o outro das minas gerais até Paraty, de onde era levada para a Europa, não era missão das mais fáceis, afinal transpor a Serra do Mar era um desafio.
Os tempos são outros. Muitos dos primitivos pousos se transformaram em florescentes cidades. No entanto, o tropeirismo deixou marcas profundas na cultura brasileira e é, até hoje, cultuado por muitos. Tanto que existe até uma Fundação Nacional do Tropeirismo, com sede na cidade de Silveitras no vale do Rio Paraíba, na região entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. E um museu, no município de Itabira, em Minas Gerais, também é consagrado ao tema.
A culinária, as crendices, os benzimentos, os "causos", as danças folclóricas, a medicina caseira, a religiosidade e a arte presepista, o artesanato, as profissões rurais, o vestuário. Tudo isso são referências muito fortes até hoje.
A gastronomia tropeira é rica e muito diversificada. Ela sobrevive até hoje e muitos pratos foram incorporados ao cotidiano das pessoas e muitos restaurantes os incluem em seus cardápios, sem falar nas casas que se dedicam exclusivamente a eles.
Engana-se quem pensa que a comida de tropeiro se resume ao feijão tropeiro, muito difundido pela culinária mineira e talvez o mais famoso deles. Os pratos são muito diversificados e todos eles trazem consigo uma carga de história que sempre vale ser contada.
A gastronomia tropeira tem pratos tradicionais como a vaca atolada, o afogado, o barreado, o arroz de carreteiro, a paçoca, a farofa de banana e tantos outros. Em comum eles têm o fato de serem feitos com ingredientes simples, com preparo não muito complicado e terem de longa duração.
Em Minas Gerais, a comida de tropeiro sobrevive desde os tempos do Brasil Colônia e faz a alegria de nativos e visitantes. Encanta pela riqueza de sabores, pela forma inusitada do preparo, pelos ingredientes que se transformam em delícias de dar água na boca. É uma das mais populares mas, certamente não é a única.
O barreado, por exemplo, é um prato muito simples, preparado com carne, toucinho e temperos, típico da região litorânea do Paraná, sobretudo Morretes, Antonina e Paranaguá. Os tropeiros que percorriam o caminho de Itupava, ligando o planalto ao litoral, serra abaixo levando a erva-mate tinham no prato seu alimento preferencial. Trata-se de uma alimentação que permanece um longo período sem de deteriorar, ideal para a única refeição que os tropeiros faziam ao final do dia num trajeto que podia levar até 15 dias.
O afogado, por sua vez, tem uma ligação intrínseca com o religiosidade. Na região tropeira a festa mais esperada é a do Divino Espírito Santo, que ocorre nos meses de maio, junho ou julho e o afogado é a mais importante contribuição quando milhares de fiéis unem religiosidade, comilança e sentem-se fortalecidos para a jornada da festa.
Já o frango à moda da revolução está ligado a um fato histórico. Na Fazenda do Sertão, no limite entre Silveiras e Cunha, em plena Trilha do Ouro, esse prato foi servido para 400 soldados sergipanos, durante a Revolução de 1932.
Aqui em Mato Grosso, a gastronomia de tropa tem também um papel importante e integra a cultura local tanto no campo, quanto na cidade. A lida no Pantanal, em que as jornadas transferindo o gado de uma região a outra pode levar dias, levou ao desenvolvimento de receitas adequadas a este estilo de vida.
Pratos como a paçoca de pilão, uma mistura de carne seca, temperos e farinha, socada no pilão e que pode ser transportada num farnel durante dias, são marcantes.
Mas existem outras receitas típicos dos pousos nos campos, como a maria izabel, a farofa de banana, o churrasco pantaneiro.
Não importa a região ou o estilo de vida, o certo é que a gastronomia de tropa extrapolou sua função original, ganhou as mesas das famílias e restaurantes famosos. Como resistir a tantas delícias que, além de tudo, estão enraizadas em nossa história, em nossa cultura.
* Fonte site www.casaraotropeiro.com.br
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