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Rosana Leite A Barros - A | + A

19.11.2016 | 00h00

Milagre de Doninha?

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Aproximadamente na década de 50, um lindo casal se une em matrimônio. Flávio e Elza declaram o amor, e o vivem de forma intensa. Eles, primos, da tradicional família Costa Marques, viviam um para o outro, sem descendentes da união.
Tudo transcorria na mais perfeita harmonia. O convívio do casal era motivo de alegria para os que presenciavam. Eram diferentes, apesar de naquela época a chegada dos rebentos fosse deveras importante, para eles o que importava, de fato, era a convivência a dois. Sem que houvesse explicação, tendo a medicina tentado achar a cura, Elza fica gravemente doente. Parentes da enferma explicavam ser alguma moléstia que houvesse atacado o cérebro. Aquela mulher doce, da noite para o dia, se mostrava muito triste, não reconhecia os seus amigos e familiares. Apenas o marido era quem queria por perto. E ele a tratava com esplendor. Permanecia dias e dias trancada em casa apenas na presença do ‘Mozinho‘, como o casal se tratava. Flavio era fazendeiro, e possuía condições financeiras de levar a amada para tentar a cura em outros grandes centros do país. Mato Grosso, diferentemente do que ocorre na atualidade, era dotado de poucos profissionais da medicina. Elza foi encaminhada para outras capitais, a fim de buscar intervenção. Tudo em vão.
Demais membros da família, juntamente com o marido, buscavam de todos os meios, mesmo passado tanto tempo, recobrar a sanidade da mulher. Uma das irmãs de Elza, de nome Lila, trouxe a informação para o cunhado, já pedindo autorização para levar a mana para visitar Doninha, do Tanque Novo.
Doninha, desde 1931, na localidade denominada Tanque Novo, região de Poconé/MT, começou a ter visões de uma moça de olhos claros e rosto sereno, vestida de branco, muito bonita, e por ela denominada de santa, conhecida como ‘Maria da Verdade‘ inicialmente, e, após ‘Jesus Maria José‘. A visão costumava aconselhá-la sobre doenças, fazendo, outrossim, previsões sobre o futuro. Uma série de curas foi atribuída às visões de Doninha, passando aquele arraial pacato, ser fruto de romaria em busca de recobro para enfermidades. A curandeira passou a ser pessoa de relevância e respeito em toda localidade, sendo a sua palavra de extrema valia. A ela se atribuía, inclusive, a ‘ordem‘, proibindo terminantemente aos habitantes do local a ingestão de bebidas alcoólicas, prática de jogos de azar, até para que a reverência às visitas da santa, fosse vislumbrada por todas e todos.
Lila, propôs, então, levar a enferma aos cuidados de Doninha. A desconfiança existiu. A família se dividiu em opiniões. Todavia, se passavam 15 anos que Elza contraíra a moléstia, sem que a medicina e exames convencionais resolvessem. Valia a tentativa. Encaminhada para benfeitora, após as orações de praxe e consulta à santa da visão, o tratamento. A enferma deveria comparecer a 40 (quarenta) missas todos os dias, sem qualquer possibilidade de falta. A família assim o fez. Elza assistiu, sem faltar nenhum dia, a todas as missas determinadas.
Passado mencionado período, Elza foi melhorando de forma gradativa. Voltou a reconhecer a família, recuperando totalmente a capacidade mental. Não ficou resquício do achaque.
Até os dias atuais, segundo os familiares, o diagnóstico da doença de Elza, é uma incógnita. A verdade é que por 15 anos, permaneceu enferma. Alguns diziam ser uma insanidade mental. Naquela época não se conheciam os efeitos da depressão, mas, alguns não descartam que fosse o caso. A restauração da vida aconteceu após o ‘tratamento‘ apontado por Doninha.
 Duas grandes mulheres se encontraram, em determinada ocasião, compartilhando amor. O resultado não poderia ser diverso.


Rosana Leite Antunes de Barros é Defensora Pública Estadual, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso, e escreve para o Jornal A Gazeta.

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Comentários

Luciano Lacerda - 23/11/2023

Que bela história envolvendo uma Matriarca pertencente a esta renomada família (Costa Marques) e minha saudosa avó Doninha do Caeté (Laurinda de Lacerda Cintra). Parabéns à reportagem e escritora pela sensibilidade.

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