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Pio Penna - A | + A

02.09.2016 | 00h00

Impeachment e política externa

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O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff provocou impactos na política externa brasileira. Aliás, antes mesmo da consumação do impeachment vários países já haviam se pronunciado oficialmente contra o que consideram uma agressão à democracia.
Dentre os que mais marcaram posição contra o processo de impeachment encontram-se os países ditos ‘bolivarianos’, Venezuela, Bolívia e Equador. Com o afastamento definitivo da ex-presidente Dilma, esses países chamaram de volta os seus embaixadores. Trata-se de um ato diplomático que registra oficialmente a insatisfação de um país com relação a outro.
Além dos três acima citados, Cuba é outro país que reagiu rispidamente com relação ao processo de impeachment no Brasil. O governo cubano acredita que o afastamento de Dilma Rousseff foi um golpe de Estado parlamentar-judicial.
É natural que esses países esperneiem, sobretudo porque tinham todos eles relações muito especiais com os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma. Foram todos beneficiados e agraciados com recursos generosos do BNDES durante as administrações petistas, fato motivado principalmente por uma postura de convergência ideológica.
É curioso notar que Venezuela e Cuba acusam o parlamento brasileiro, ou melhor, as ‘elites oligárquicas‘ do Brasil, de ferir a democracia aplicando um golpe de Estado. Ora, nenhum desses dois países pode ser considerado ‘democrático‘. Ou seja, para eles a democracia deve ser respeitada, mas na casa dos outros!
Venezuela e Cuba tem presos políticos e cidadãos exilados, que não podem voltar para a sua pátria. Se voltarem experimentarão a dor provocada pelos regimes autoritários. Isso por acaso é democracia? A situação da Venezuela é ainda mais dramática, considerando o estado de penúria de sua população derivada da irresponsabilidade de um governo autoritário que não mediu esforços para se manter no poder, mesmo que isso resultasse na ruína econômica do país.
Bolívia e Equador mantiveram seu alinhamento ideológico com a Venezuela, sua aliança política com o PT e aderiram, desde o primeiro momento, ao coro contra o impeachment. Estão por aí a criticar abertamente o Brasil.
Fora da América Latina não aconteceram estridentes críticas ao Brasil pela queda do governo Rousseff. Alguns países, principalmente europeus, criticaram o processo de impeachment pelo viés de seus fundamentos, colocando em dúvida a argumentação daqueles que queriam o afastamento de Rousseff, mas não foram muito além disso.
A política externa do governo Temer, tanto no período da interinidade, quanto agora, como presidente efetivo, reagiu duramente às críticas que vieram de fora, argumentando que elas derivam, por um lado, da falta de conhecimento da legislação brasileira com relação ao processo de impeachment e, por outro, por compromissos ideológicos de alguns países com o Partido dos Trabalhadores.
O fato é que dificilmente o impeachment será cancelado ou mesmo revisado a ponto de provocar o retorno de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. E, com o tempo, a tendência é que outros governos acabem por aceitar a nova realidade política do Brasil e que a fase do PT no governo, pelo menos por enquanto, está encerrada.
 

Pio Penna Filho é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do CNPq E-mail: piopenna@gmail.com

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