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Pio Penna - A | + A

16.09.2016 | 00h00

Intervenções desastrosas

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A Líbia era um país próspero e estável até que alguns países resolveram agir em nome dos direitos humanos e de uma pretensa segurança internacional e desencadearam uma grande ofensiva militar. Inicialmente, a ideia era desestabilizar o regime do ditador Muammar Kadafi, mas isso logo evoluiu para acabar com o seu regime. O resultado dessa política foi o caos e a violência desenfreada na Líbia, exatamente como assistimos hoje, e isso vem desde 2011.
De fato, Kadafi nunca foi flor para se cheirar. Ele era tóxico, muito tóxico, como vários outros ditadores espalhados pelo mundo. Entretanto, assim como Saddam Hussein e Bashar al-Assad, ele controlava o país e os vários dissensos internos. Enfim, mantinha a “casa em ordem”.
O que aconteceu na Líbia já tinha acontecido antes no Iraque. Na Síria está acontecendo. No Iraque e na Líbia intervenções externas derrubaram os regimes de Saddam e Kadafi e deixaram para trás um perigoso vácuo de poder que logo se tornou explosivo.
Essas intervenções externas foram promovidas pelos Estados Unidos, França e Inglaterra que, em nome dos direitos humanos e da intervenção humanitária, resolveram atuar sem sequer consultar as Nações Unidas ou, quando o fizeram, se aproveitaram de um contexto político internacional favorável para executar políticas de força.
Eles são tão prepotentes que se acham no direito de definir o que é melhor para os outros. Na verdade, agem exclusivamente pensando em seus próprios interesses, mesmo que isso resulte em graves problemas políticos, econômicos e sociais em outros países.
Até agora as intervenções externas nesses países foram desastrosas. Derrubaram ditaduras, mas não conseguiriam estabilizar nada. A violência só fez aumentar e a população civil, como sempre, é a que mais sofre. Outra consequência imediata das intervenções foi o incremento do radicalismo religioso, da intransigência e do terrorismo.
Além de tudo isso, vale notar que os argumentos utilizados para essas intervenções foram baseados na mais sórdida mentira ou em avaliações políticas equivocadas e perigosas.
Os interventores/agressores disseram e juraram de “pés juntos” que existiam armas de destruição em massa no Iraque (até hoje não encontradas) e que por isso era imperioso, para a segurança internacional, que o regime de Saddam fosse derrubado.
No caso da Líbia, apostaram em meios militares para retirar do poder Kadafi apostando que haveria uma transição ordenada de poder, demonstrando serem completamente amadores ou mal-intencionados em suas avaliações acerca do país.
Esses desastres provam que não existe uma governança global e que ainda vivemos num mundo em que os países mais poderosos agem com a força das armas para impor a sua vontade.
Deveríamos aprender essa lição e nos prepararmos porque um dia esses ventos podem mudar de direção e nos atingir. No fundo, a única forma de lidar com esse tipo de política é contrapondo força com força. É por isso que o alvo preferencial de países como Estados Unidos, França e Inglaterra são aqueles Estados sem capacidade ou com uma capacidade muito limitada de reação.

Pio Penna Filho é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do CNPq E-mail: piopenna@gmail.com

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