14.10.2016 | 00h00
A guerra na Síria, além de ser perigosa para os sírios, está se tornando arriscada para o mundo. O conflito atraiu de tal forma os interesses e disputas das grandes potências militares do planeta que elas estão muito próximas de uma arriscada escaramuça militar.
A decisão russa de criar uma zona de exclusão aérea em torno das posições do Exército sírio e de suas próprias forças que estão operando na Síria causou um enorme constrangimento para a coligação liderada pelos Estados Unidos. Vale lembrar que recentemente aviões americanos bombardearam posições do Exército sírio matando cerca de 80 soldados. Segundo os americanos esse ataque teria sido um ‘engano’.
Como os russos dispõem de tecnologia e equipamentos capazes de derrubar aviões atuando na Síria, isso torna a ameaça russa um perigo real, principalmente porque ainda não se sabe como os Estados Unidos reagirão na prática se esse aviso russo, de fato, se concretizar.
Esse não é o único sinal de radicalização dos russos diante da guerra na Síria e dos seus últimos embates com os norte-americanos. No fundo, a guerra na Síria tem aguçado as diferentes perspectivas políticas e militares envolvendo as duas grandes potências.
O pano de fundo dessa disputa está relacionado com a iniciativa de Washington de levar adiante seu projeto de defesa nuclear que implica em cercar parte do território russo com armamentos antimísseis, criando uma espécie de escudo contra o lançamento de mísseis nucleares por parte da Rússia.
Trata-se de algo realmente grave na perspectiva russa, sobretudo porque Moscou vê essa iniciativa não como parte de uma estrutura de defesa norte-americana, mas sim como uma tentativa de romper o equilíbrio e promover a superioridade bélica (nuclear) dos Estados Unidos contra a Rússia.
Não há como discordar dos argumentos russos. A OTAN, ou seja, os Estados Unidos, estão se aproximando perigosamente do núcleo russo. A anexação da Crimeia e a participação russa na guerra da Ucrânia são exemplos de que a luz amarela já está acessa há muito tempo em Moscou. Ambas resultam da reação russa a iniciativas consideradas hostis vindas do Ocidente.
Em grande medida isso é resultado da política externa norte-americana, que não vê limites para sua atuação internacional. Os Estados Unidos se comportam como uma potência imperial, vez que se acham no direito de definir a vida de outros povos. Se intrometem em assuntos muito distantes de suas fronteiras e não raro os efeitos colaterais de algumas desastrosas intervenções repercutem em outros países que não os próprios Estados Unidos.
Veja-se o caso dos refugiados sírios. Não resta dúvida que a situação na Síria não teria chegado a esse estágio atual não fosse a desastrosa política norte-americana para o Oriente Médio. Desastrosa, claro, para os povos daquela região.
Voltando à Síria. A guerra nesse país está assumindo um grau de insegurança para o sistema internacional de uma forma que não se via há décadas. A possibilidade de uma confrontação direta entre americanos e russos na Síria é real e se isso ocorrer os seus desdobramentos podem significar, inclusive, uma guerra nuclear.
Pio Penna Filho é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do CNPq E-mail: piopenna@gmail.com
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