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19.06.2026 | 15h40

Combater o negacionismo não basta; falta enfrentar o essencial

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Evaldo Vilela

Reprodução

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O momento exige uma profunda reflexão sobre o financiamento da pesquisa no país, especialmente da pesquisa agronômica, em função das transformações pelas quais passa a nossa agricultura e que, certamente, irão exigir soluções ainda mais dependentes de novos conhecimentos e novas tecnologias, em conexão direta com a ciência agronômica. O conhecimento científico, cada vez mais, é um componente estratégico para a geração de soluções para desafios de toda ordem, no cenário de profundas transformações por que passa o mundo.

 

As dificuldades e os obstáculos para adotar a ciência como eixo preponderante do desenvolvimento do nosso país são históricos, o que é ainda mais inaceitável quando o Brasil assiste a uma crescente perda de soberania tecnológica no agro, além de enfrentar mudanças geopolíticas desafiadoras. Mas temos que avançar — muito e rapidamente — na valorização da ciência, diante da necessidade de garantir um futuro para os brasileiros. Sem ciência, não há caminho para o desenvolvimento socioeconômico em nenhuma parte do mundo. E, não se faz ciência sem investimento que, por sua vez, retorna em termos de impostos, empregos e qualidade de vida para a população!

 

Essa discussão vale muito a pena, porque temos uma ciência agronômica robusta, conectada às demais áreas do conhecimento. No conjunto, já demonstramos nossa competência, alcançando posição invejável no ranking internacional de publicação de artigos científicos, competindo com países desenvolvidos. É hora de ir além, assegurando a apropriação dos conhecimentos e das tecnologias que geramos. O Brasil precisa proteger o que cria e transformar sua produção científica e tecnológica em bem social e em negócios. Trata-se de uma mudança de perspectiva: entender que a ciência só cumpre plenamente seu papel quando chega às pessoas, ao campo e ao mercado. E isso exige planejamento de Estado e políticas públicas de Estado — o que é um grande desafio para o nosso país.

 

Em um cenário mais competitivo, com acordos comerciais entre blocos econômicos, nossa agricultura precisará contar com maior integração na pesquisa científica e tecnológica nas áreas de genética/genômica, ciência de dados, ciências ambientais, entre outras. Será necessário implementar, de forma predominante, o modelo de pesquisa orientada por missão, executado por redes de colaboração com diversidade de competências.

 

Preocupa-nos um futuro marcado pelas desigualdades e injustiças, em um Brasil que, embora afirme combater corretamente o negacionismo à ciência, ainda hesita em enfrentar o essencial: um país que ainda prescinde da ciência como estratégia para evoluir.

 

 

Evaldo Vilela é membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Brasileira de Ciências, Pesquisador Emérito do CNPq, Gestor de Redes de Pesquisa da Fundação Araucária, PR e ex-reitor da UFV, ex-presidente do CNPq

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