23.02.2026 | 12h16
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Meu lado é o esquerdo. Sempre foi. Quando casei, novinha ainda, fomos morar em um apartamento de 1 quarto em Pinheiros, era um amor o apartamento. No dia da mudança, a gente acordou cedinho, pra guardar a vaga pro caminhão, semanas dormindo tarde entre caixas e desejos de futuro. Quando o povo do carreto foi embora, deitamos mortos de sono na cama que dava pra uma janela enorme de onde vimos os fogos da Paulista no fim do ano. Ninguém combinou coisa nenhuma. Cada um tomou seu lado. Depois de lá, mudamos de endereço outras duas vezes. Segui à esquerda.
Tava pensando nisso porque meu primeiro analisando de hoje, afastou a almofada pro lado esquerdo e cruzou a perna - também esquerda - numa naturalidade. Era como se esse fosse o único movimento possível. Fui tentando lembrar como ele faz quando chega ao consultório e vi quase que um filme dos últimos anos. A mesma coreografia.
Igualzinho aqui, e não é da vida adulta não, sabia? Agora pensando, desde menina, quando dividia o quarto com a minha irmã, minha cama era a da esquerda. Mandei mensagem no meu grupo de amigas: vocês têm um lado fixo na cama? Desde quando? Todo mundo tinha. E desde sempre. Será que tem a ver com a localização da porta? Será que a gente escolhe para estar mais longe ou mais perto da saída?
Não. Sabe por que? Porque a saída não é sempre do mesmo lado. E depois depende de onde se coloca a cama. Numa revisão rápida de reformas e redecorações, já estive longe e perto da porta, mas o lado nunca mudou. Então sim, dá pra dividir a humanidade entre quem escolhe dormir de um lado e quem escolhe dormir de outro.
E se você encontrar alguém de quem gosta, gosta mesmo de verdade, e a pessoa compartilhar a característica de ser mais de cá ou mais de lá? Me deu até um aperto no peito. Já não estou mais casada faz muito tempo. Mas encontrei alguém de quem eu gosto, gosto mesmo de verdade. Acabei de escrever pra ele em entrevista. Paulo me disse que dormiu a vida inteira do lado direito.
"Por que?”. Respondi que "nada não", mas achei tão bonito. Isso da gente ser de um jeito, achar alguém que é o oposto e ainda assim (ou exatamente por isso) poder dormir tranquilo, né? Mas e tu? De que lado da cama tu dorme?
Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br
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