Publicidade

Cuiabá, Terça-feira 27/01/2026

Colunas e artigos - A | + A

27.01.2026 | 11h39

Onde termina o humano e começa a máquina?

Facebook Print google plus

Flavia de Assis

Divulgação

Divulgação

Há uma dicotomia que muitas vezes passa despercebida. O interior representa a potência e o resultado. O envoltório, por sua vez, exibe e protege essa potência. É assim entre o alimento e sua embalagem, entre os componentes internos de um eletrônico e o seu chassi, entre as estruturas internas de um animal e seu esqueleto. O interior é força, mas, sem o envoltório adequado, o alimento estraga, o eletrônico se oxida, o animal sucumbe. Cuidar apenas do potencial é expô-lo à vulnerabilidade.

 

O progresso humano também segue essa configuração simbiótica. Mentes brilhantes, currículos destacados, rotinas disciplinadas são indicadores de crescimento exponencial. Porém, o que envolve o indivíduo, como equilíbrio, pausa e moderação, são igualmente necessários. A negligência dessas demandas silenciosas catalisa fragilidades diante dos grandes desafios contemporâneos: mudanças climáticas e saúde mental.

 

A inteligência artificial reflete essa mesma lei da interdependência. Seu poder de cálculo e geração é imenso, mas, sem propósito ético e regulatório, pode se tornar uma força descontrolada. Modelos generativos podem criar mundos virtuais fascinantes, mas também desinformação em escala. Algoritmos de recomendação podem impulsionar negócios, mas também fragilizar a saúde mental. O potencial da IA é o interior, enquanto o propósito, apoiado pela ética e pela governança, representa o envoltório que o protege e direciona.

 

Temas-chave para o debate são a responsabilidade algorítmica (garantir que decisões automatizadas sejam auditáveis e justas), governança de IA (estruturas regulatórias que modulam riscos e benefícios), IA explicável (transparência nos processos de decisão), reconhecimento dos vieses (bias) e assumir responsabilidade (accountability).

 

Sendo a inteligência artificial um novo elemento dos ecossistemas habitados pelo homem, a máxima do naturalista britânico do século XIX, Charles Darwin, permanece atual: “Não é o mais forte das espécies que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” Adaptar-se, neste caso, significa equilibrar potência e envoltório, resultado e propósito.

 

O que está dentro é potente e merece se expandir. Mas não a qualquer custo, nem sem moduladores que mantenham o equilíbrio. O discernimento do limite da carcaça destrava a potência. Vale para a inteligência artificial, vale para o indivíduo, vale para o mundo. Equilibrar força e envoltório é o segredo para transformar avanço em permanência.

 

Flavia de Assis e Souza é engenheira e pós-graduada em Qualidade e Produtividade (USP), Marketing (ESPM) e Comércio xterior (FGV), além de autora do livro “Quatorze: Gerações Conectadas”, que aborda o equilíbrio entre progresso e simplicidade

 

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Além das fake news em ano eleitoral, as ferramentas de manipulação fazem vídeos de qualquer coisa usando a IA. Você sabe identificar se a imagem é real ou feita por inteligência artificial?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Terça-feira, 27/01/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.