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Entrevista da Semana - A | + A

MARÇO LILÁS 22.03.2026 | 07h00

'Dor pélvica, sangramentos'; veja sinais e prevenção do câncer

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Vithória Sampaio

redacao@gazetadigital.com.br

Reprodução

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Dor pélvica, sangramento fora do período menstrual ou após a relação sexual e corrimentos persistentes podem ser sinais de alerta para o câncer do colo do útero, uma das doenças que mais afetam a saúde e a autoestima da mulher. Apesar de ser considerado um tumor bastante agressivo, ele pode ser prevenido e tem grandes chances de cura quando diagnosticado precocemente.
 
O alerta sobre a doença ganha ainda mais força durante o Março Lilás, campanha voltada à conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce da enfermidade. Para trazer luz ao tema, o entrevistou a médica radioterapeuta Manoela Regina Alves Corrêa Barros, diretora clínica do Hospital de Câncer de Mato Grosso, que explicou os principais riscos, sintomas e formas de prevenção. 
 
Gazeta Digital - O que é o Março Lilás? 
Médica Manoela - O Março Lilás é uma campanha de conscientização dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, que é um dos tumores ginecológicos mais frequentes no mundo e ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil. No entanto, trata-se de uma doença altamente prevenível e potencialmente curável quando diagnosticada em estágios iniciais, principalmente por meio do rastreamento adequado e da vacinação contra o HPV.
 
Gazeta Digital - Quais são os principais fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento do câncer do colo do útero?
Médica Manoela - O principal fator de risco é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), um vírus sexualmente transmissível. Entre os diversos subtipos do HPV, os tipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer cervical. Outros fatores que podem aumentar o risco incluem: início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, relações sexuais desprotegidas, tabagismo, imunossupressão (como em pacientes com HIV ou em uso de imunossupressores) e baixa adesão aos programas de rastreamento preventivo.
 
Gazeta Digital - Quais sinais ou sintomas podem indicar a doença e quando a mulher deve procurar atendimento médico?
Médica Manoela -  Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero frequentemente não apresenta sintomas, o que reforça a importância do rastreamento periódico. Quando a doença se manifesta, alguns sinais de alerta podem incluir: sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após relação sexual, corrimento vaginal persistente ou com odor forte, dor durante relação sexual e dor pélvica. Em estágios mais avançados, podem ocorrer sintomas como alterações urinárias, intestinais ou dor lombar.
 
Gazeta Digital - De que forma exames preventivos, como o papanicolau, ajudam no diagnóstico precoce da doença? 
Médica Manoela - O exame é um método de rastreamento capaz de identificar lesões precursoras do câncer antes mesmo do desenvolvimento da doença invasiva. A realização regular do exame permite identificar e tratar precocemente alterações celulares, reduzindo significativamente a incidência e a mortalidade por câncer do colo do útero.
 
Gazeta Digital - Quais são as principais formas de prevenção?
Médica Manoela - A principal forma de prevenção do câncer do colo do útero é a vacinação contra o HPV, associada ao rastreamento regular por meio de exames preventivos. A vacina disponível no SUS protege contra os principais subtipos oncogênicos do HPV, especialmente os tipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos da doença. No Brasil, a vacinação é recomendada principalmente para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual, período em que a resposta imunológica à vacina é mais eficaz.

 

Estudos mostram que programas de vacinação em larga escala podem reduzir drasticamente a incidência de infecção pelo HPV, lesões pré-cancerosas e, consequentemente, o câncer do colo do útero, tornando essa uma das estratégias mais importantes de prevenção em saúde pública.

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