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Cuiabá, Domingo 17/05/2026

Entrevista da Semana - A | + A

DENÚNCIA DE DESMONTE 17.05.2026 | 07h00

Ministério da Saúde voltará para verificar medidas adotadas para manter o Samu em operação, diz superintendente

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Aparecido Carmo/GD

Aparecido Carmo/GD

O advogado Pedro Henrique Dias, de 26 anos, assumiu a Superintendência do Ministério da Saúde em Mato Grosso e passa a representar o Governo Federal nos assuntos ligados à pasta no estado. Natural de Juína, ele iniciou a trajetória pública em 2017, após desistir da carreira religiosa para atuar no serviço público, com foco em políticas públicas de saúde. A posse foi celebrada pela Secretaria Nacional LGBT+ do PT, que destacou a importância da diversidade em cargos estratégicos.

 

A chegada de Pedro Henrique ao comando da superintendência acontece em meio ao debate sobre a possível integração entre o Samu e o Corpo de Bombeiros na Baixada Cuiabana, proposta que gerou preocupação sobre um eventual fechamento do serviço de urgência. Durante entrevista, ele explicou que o Ministério da Saúde deve retornar em até dois meses para fiscalizar as providências adotadas após inspeções realizadas em unidades do Samu, na central do Ciosp e em conversas com servidores.

 

Considerado o superintendente mais jovem do país, Pedro Henrique também falou sobre a destinação de recursos federais para municípios administrados por prefeitos de direita, o avanço do negacionismo em relação às vacinas e as críticas direcionadas à Anvisa após sanções envolvendo uma marca de higiene doméstica.

 

Confira a entrevista completa e todos os detalhes sobre os desafios da saúde pública em Mato Grosso: 

 

Gazeta Digital - O governo tentou juntar os atendimentos do Samu com o Corpo de Bombeiros e com isso se aventou a possibilidade de que o serviço fosse encerrado na Baixada Cuiabana. A situação já foi normalizada?


Pedro - Eu participei das duas agendas finais da fiscalização do Ministério da Saúde. O governador mesmo reconheceu que houve uma falha de comunicação entre secretaria e governo. Então é algo que já foi resolvido, mas algo que eu gostaria de chamar a atenção é da luta dos profissionais do Samu. Eles foram muito guerreiros, até mesmo porque eles entendem a diferença e o perfil de cada profissional, tanto do Samu como do Corpo de Bombeiros.

 

Eles entendem porque são eles que acordam toda a madrugada, ou muitos deles fazem plantão 24h para atender e dar conta dos acidentes que venham a ocorrer no nosso estado. O compromisso do Ministério da Saúde é de que vamos ampliar esse serviço e deixamos um recado muito claro à Secretaria Estadual de Saúde: conte conosco, nós não estamos aqui para punir. Nós estamos aqui principalmente para intensificar os investimentos do Governo Federal para com o estado de Mato Grosso.

 

Gazeta Digital - Foram identificadas ambulâncias abandonadas, unidades foram fechadas e foi feita a promessa de abertura de unidades do Corpo de Bombeiros para suprir essas vagas. Como acompanha essa situação?


Pedro - Todo mundo tem ciência do que foi apontado no relatório, então o que o Ministério faz é: ele apresenta um prazo para a Secretaria Estadual de Saúde, juntamente com o serviço, conseguir regularizar o que foi apontado em relatório. Se não conseguir resolver, aí vem uma questão delicada que nós vamos ter que trabalhar com a questão do orçamento, são questões que estão ligadas às portarias e normas técnicas. Não é novidade para ninguém.

 

Mas, posso dizer que estive presente na reunião e o secretário se colocou à disposição para resolver toda essa burocracia que foi apontada, essas irregularidades, dentro de um prazo de dois meses. Então o Ministério volta em dois meses após a resposta da Secretaria Estadual de Saúde para ver qual foi o encaminhamento. E dali a gente corre com as medidas previstas conforme a nossa lei.

 

Gazeta Digital - As principais cidades de Mato Grosso são geridas por prefeitos de direita. Em Cuiabá, o prefeito já chegou a dizer que não quer recursos do governo Lula. Como fica essa relação, como lidar com essa falta de receptividade com quem gere a ponta dessa cadeia?

 

Pedro - O Governo Federal vem investindo, sim, em Cuiabá. O Governo Federal vem ampliando, sim, os serviços e os recursos, repasses em Cuiabá. É uma tarefa do governo. A atenção primária não funciona sozinha, ela funciona com recursos do Governo Federal. A atenção especializada também funciona com recursos do Governo Federal. É 50%, tem serviços, inclusive, que eu posso dizer que chega a 100%.

 

Tem algumas políticas públicas em municípios grandes, que têm também essa questão do conservadorismo visto no corpo de gestores, que funcionam 100% com repasses do governo federal. É o que está previsto pelas normativas do SUS? Não é. É 50%, é tripartite. A gente vai trabalhar de uma forma clara, objetiva e técnica, derrubando todo aquele discurso ‘ah, não preciso do Governo Federal’. Não. Precisa, sim. E o Governo está aqui para ajudar no precisar. Bateu na porta, nós não vamos olhar o partido que está na camiseta. Vamos olhar as pessoas, quem de fato precisa.

 

Gazeta Digital - Nós temos observado doenças que já tinham sido controladas ou extirpadas do país voltando a ser uma preocupação do sistema de saúde. Como o senhor vê o negacionismo com relação às vacinas, que tem crescido muito?


Pedro - Nós passamos por um momento da nossa história que é muito sombrio, principalmente para quem acredita na ciência. E este momento presente é o momento em que a gente volta a investir na ciência, volta a acreditar nas vacinas, intensifica inclusive as campanhas nacionais de vacinação.

 

Essa tem sido uma marca do nosso governo, tem sido uma marca do Ministério da Saúde, porque acreditamos intensamente que vacinas salvam vidas e que a ciência tem um papel fundamental no avanço da população, no avanço do ser humano.

 

Eu acredito que essa questão de polêmica entre um lado e outro são questões delicadas, mas que fazem o direcionamento específico para a gestão, para os gestores, e o gestor que de fato tem compromisso com a sua população não eleva o tom para lados partidários, ele vê o montante como um todo. E é o que estamos fazendo. Estamos seguindo num caminho em que a população seja atendida, em que a população é prioridade.

 

Gazeta Digital - Nos últimos dias tivemos a questão da sanção da Anvisa à empresa Ypê e as pessoas começaram a discutir esse assunto como se fosse uma questão sobre direita e esquerda. Como as autoridades de saúde lidam com esse tipo de situação?


Pedro - Intensificando os recursos para as nossas unidades e órgãos competentes de investigação e de pareceres técnicos, sendo muito claros e o máximo possível técnicos. É o serviço que a gente vem desempenhando. A gente precisa entender que esse negacionismo é o mesmo negacionismo de 2019 a 2021, que levou à perda de mais de 700 mil vidas. Estamos trabalhando de uma forma que eu vejo que tem dado certo.

 

Gazeta Digital - É um delírio coletivo?
Pedro - Eu prefiro não comentar, prefiro não dar minha opinião pessoal.

 

Gazeta Digital - Está em construção aqui em Mato Grosso a nova sede do Hospital Universitário Júlio Müller. Como está o andamento das obras e qual a previsão para que ele comece a funcionar?

Pedro - Temos uma conversa agendada com a reitora da UFMT [que administra o hospital] e também com o superintendente, professor Gaspar, para que a gente possa se inteirar dessas informações. Eu cheguei a visitar a obra. Tem 89, quase 90% concluído. Mas, como é uma área muito extensa, tem muita coisa que precisa ser pensada. Por exemplo, o trajeto. Como é que será feito o trajeto? Porque ali é uma rodovia, portanto a gente precisa pensar de uma forma mais racional, mas essa é uma questão do Governo do Estado, que vai elaborar um projeto e colocar em prática a execução ali em frente ao Hospital Júlio Müller. Mas são várias coisas que estão ligadas, mas falta ainda a gente amarrar, entender toda a história para que a gente consiga emitir uma opinião, tanto institucional quanto pessoal.

 

Gazeta Digital - O senhor é o superintendente mais jovem do Brasil. Teme que, pela sua juventude, a sua atuação seja vista com algum preconceito ou até questionada?


Pedro - A juventude tem muito a contribuir com o nosso Sistema Único de Saúde. Deixo um recado especial para toda a população mato-grossense: espere de mim não apenas um jovem quebrando tabu, mas espere de mim um jovem atuante e comprometido com o SUS.

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