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10.04.2017 | 00h00

Millennials

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O jornal espanhol El País publicou uma interessante matéria no início desse mês de abril sobre os dilemas da Geração Y, os chamados "millennials", a geração daqueles que têm hoje entre 20 e 35 anos de idade. Como tiveram acesso à tecnologia desde muito cedo, isto é, cresceram brincando com dispositivos eletrônicos portáteis como celulares, tablets e leitores de MP3, os integrantes dessa geração recebem a curiosa denominação de nativos digitais. Para esse pessoal, a ausência de wi-fi ou a bateria do smartphone indicando menos de 10% de carga, podem ser motivos para um ataque de ansiedade. Os interesses dessa geração contrastam muito com as aspirações de seus pais, membros da Geração X, que tem entre 30 e 45 anos, e mais ainda com o universo de ambições e preocupações de seus avós, os chamados baby boomers, nascidos nas décadas de 50 e 60. Para as gerações que antecederam a juventude digital, as necessidades tinham mais a ver com subsistir e "melhorar de vida" em um contexto que era marcado por escassez de recursos e possibilidades. Já os mileniais são jovens provenientes de classe média que passaram a infância em tempos de crescimento econômico, foram altamente treinados e educados, e no caso brasileiro, não tiveram que lutar no front político pela consolidação do regime democrático. Ao atingir a idade adulta, no entanto, a geração da internet se depara com um momento de aguda crise econômica.A ideia que a fase adulta seria uma decorrência natural da juventude, marcada pela segurança e estabilidade, se desfaz diante de uma realidade adversa caracterizada pela falta de perspectivas confiáveis e duradouras.

O ano de 2016 foi muito turbulento. Ataques terroristas na Europa, a decisão pela saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e a delicada disputa pela Presidência dos Estados Unidos tornaram o cenário internacional sombrio. No plano interno, o impedimento da presidente Dilma Roussef, a mudança de governo e a crise econômica que surgiu na esteira desse processo, parecem ter abalado a confiança da geração do milênio, especialmente em relação ao mercado de trabalho. Hoje, esses jovens profissionais que tem promovido uma revolução ao adotar modelos de trabalho mais flexíveis e criativos, como a atuação como freelancer ou consultor, parecem estar menos propensos a deixar a segurança de empregos fixos, é o que mostra a sexta edição do estudo "MillennialSurvey", realizado pela empresa de consultoria Deloitte em 30 países, incluindo o Brasil.

Mais preocupados com a incerteza de um mundo em transe, a juventude digital não está tão otimista em relação aos caminhos que os governos ou as empresas estão traçando para o futuro. As mudanças impostas pelo livre-mercado, principalmente a desindustrialização dos países desenvolvidos que faz empregos considerados tradicionais migrarem em direção a países como a China, está gerando ansiedade e também instabilidade emocional nesses jovens. Há quatro anos, explica Punit Renjen, CEO da Deloitte Global, as mudanças climáticas e a destruição ambiental estavam entre as principais preocupações dos mileniais. Agora, a economia estagnada, o crime, a corrupção, as guerras e as tensões políticas estão pesando sobre a consciência dos jovens e impactando suas perspectivas pessoais e profissionais.

Ainda que o futuro profissional pareça pouco auspicioso para a geração mais preparada e com mais desemprego da história, as pesquisas da Deloitte sugerem que boa parte da solução pode estar no dinamismo do setor industrial-tecnológico. É justamente a indústria digital, cuja cultura contribuiu para a formação da identidade da Geração Y, que pode alocar esses trabalhadores altamente qualificados, ajudá-los a construir sua confiança e a desenvolver suas habilidades sociais, criando, assim, sinergia entre trabalho e capital. A inquietação nervosa da geração Y, que entre tuites e curtidas nas redes sociais impulsiona a inexorável carruagem da história, em algum momento será apaziguada. O pós-narcisismo-selfie e a frivolidade dos antipáticos emoticons serão, enfim, superados por um novo grupo demográfico nascido entre 1994 e 2010, e que já representa 25,9% da população mundial: a geração Z.

Daniel Almeida de Macedo é doutor em História Social pela USP.

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