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brilho sem esquecer as raízes 14.06.2026 | 12h00

Ator mato-grossense é destaque nacional com produção intitulada 'Abismo'

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Isabele Nery - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Divulgação

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O ator mato-grossense Adriano Mendonça, 28, vive um momento especial em sua trajetória artística, levando o nome de Mato Grosso ao destaque em produções de alcance nacional. Ele é um dos protagonistas do curta-metragem "Abismo", que teve o trailer divulgado, mas ainda sem data de estreia. O ator integra uma obra que aborda os impactos da dependência química e os desafios enfrentados por famílias que convivem com essa realidade, propondo uma reflexão sobre afeto, perda e recomeços.

 

Natural de Nova Guarita (a 897 km de Cuiabá), o artista carrega consigo as experiências de quem cresceu longe dos grandes centros de produção cultural e precisou construir sua carreira a passos curtos entre os palcos e as telas. Ele sempre levou junto as suas raízes do interior do estado, que considera fundamentais para sua formação pessoal e profissional.

 

Leia também - Projeto 'Viva o Seu Bairro' celebra legado e inicia temporada em 2026.

 

Trajetória
A história de Adriano na arte começou ainda em sua cidade natal, com projetos escolares. No entanto, foi apenas após a mudança para Sinop (a 500 km de Cuiabá) que seu interesse pelo teatro se transformou em profissão. Em 2015, ingressou no grupo de teatro Despertar de Talento, período que é lembrado com emoção por ele.

 

"Lembro da minha professora e amiga, que não está mais aqui, mas ali foi o início da minha trajetória profissional no teatro. As viagens, os espetáculos e os colegas de palco marcaram minha vida para sempre", relembra.

 

Ao longo do caminho, conquistou premiações importantes, como o título de "Ator Revelação" no Festival de Artes Cênicas de Sorriso (a 420 km de Cuiabá), pela atuação na peça "Divã". Anos depois, em 2019, decidiu deixar Mato Grosso e se mudar para o eixo Rio-São Paulo, enfrentando desafios como a distância da família e a adaptação a um mercado diferente e competitivo.

 

"O maior desafio foi entender quem eu era naquele ambiente, cercado por pessoas que já estavam há muito tempo no meio artístico. Mas foi errando, aprendendo e persistindo que construí minha maturidade profissional", conta.

 

Desde então, Adriano participou de produções de destaque, como a série Impuros, do Disney+, além do longa-metragem Pecadora, previsto para estrear este ano. Também recebeu o prêmio de Melhor Ator de Drama no MT Queer pelo curta-metragem Pancada Por Pancada, obra selecionada para o tradicional Festival de Gramado.

 

Orgulho das origens
Mesmo tendo consolidado sua carreira fora do estado, Adriano faz questão de destacar a importância de Mato Grosso em sua formação artística e pessoal. "Tudo o que aprendi vivendo em Mato Grosso apliquei no Rio de Janeiro e em São Paulo. O estado me ensinou força, disciplina e humildade. Tenho muito orgulho de representar nossa terra em produções de alcance nacional", diz.

 

O ator também comemora o crescimento do audiovisual mato-grossense e comenta com empolgação sobre o atual momento. "Atualmente o cenário está mudando muito. Cito o Bruno Bini, que vem abrindo muitas portas, e os incentivos também ajudam. Estou bem feliz com isso e espero fazer parte de muita coisa em Mato Grosso também", comenta.

 

Sobre o curta "Abismo", Adriano conta que interpretará um policial na trama e que a história possui forte proximidade com suas experiências pessoais. "Tenho experiências parecidas na minha família, então tocou em lugares bem delicados. Mas a arte ajudou a ressignificar muita coisa", revela.

 

O filme busca discutir como os conflitos, ausências e fragilidades dentro do ambiente familiar podem influenciar tanto o início quanto a superação da dependência. Para Adriano, esse é justamente o ponto mais forte da história. "Quando a gente fala de dependência química, normalmente pensa apenas na pessoa que está vivendo aquilo. Mas existe toda uma rede familiar que também sofre as consequências e participa desse processo", afirma.

 

Em meio ao crescimento artístico e munido das lembranças de seu início, Adriano vê sua trajetória se cruzar com uma narrativa que ultrapassa a ficção, trazendo uma perspectiva de amadurecimento pessoal. Ele demonstra que a ficção e a realidade podem se misturar, trazendo à tona reflexões capazes de provocar debates necessários sobre temas que afetam milhares de famílias diariamente.

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