notificado pelo mpt 23.10.2026 | 19h01

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Fred Moraes/ GD
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), negou ter perseguido servidores municipais por posicionamento político ou participação em manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como do último domingo (18), na Arena Pantanal, na capital. O gestor afirmou que não determinou demissões por esse motivo e atribuiu eventuais desligamentos à incompetência de funcionários.
A declaração foi dada à imprensa nesta sexta-feira (23), após o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar suspeitas de assédio eleitoral e discriminação política na administração municipal.
Abilio disse acreditar que servidores municipais participaram do ato, mas negou ter fiscalizado a presença de funcionários no evento. O gestor foi notificado pelo MPT na tarde de hoje.
“Eu não mandei ninguém embora por militância política de lado nenhum. Eu não mandei ninguém embora por estar em manifestação nenhuma, até porque eu não sei quem foi na manifestação. Eu não fui lá fiscalizar qual servidor foi em manifestação. Eu acredito que deve ter tido um monte de servidor na manifestação”, declarou Abilio.
Abilio afirmou que, se ocorreram eventuais demissões, foram frutos da incompetência dos funcionários e criticou a associação dos desligamentos à participação em atos do PT.
“Se um servidor ou outro foi mandado embora por incompetência, agora vai usar a desculpa de que a pessoa foi mandada embora por causa de PT? Aí não”, alegou.
Abilio também diferenciou a situação dos servidores concursados e contratados daquela dos ocupantes de cargos comissionados, que são de livre nomeação e exoneração. Segundo ele, tem autonomia para dispensar integrantes da equipe quando perde a confiança no trabalho deles.
“Se eu não tenho mais confiança na pessoa, eu mando ela embora e contrato outra pessoa que eu tenha confiança”, declarou. Questionado se demitiria alguém de sua confiança caso soubesse que participou de uma manifestação de esquerda, o prefeito respondeu que não teve conhecimento de nenhum integrante de sua equipe que estivesse no ato.
A representação apresentada por Lúdio Cabral ao MPT foi protocolada na quinta-feira (22) e pede a abertura de inquérito civil para apurar possíveis práticas de assédio eleitoral e discriminação política na Prefeitura de Cuiabá.
Um dos casos citados é o de uma técnica administrativa da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a denúncia, a servidora trabalhava na empresa desde julho de 2016 e foi dispensada na segunda-feira (19), um dia após participar da manifestação em apoio a Lula.
Conforme o relato apresentado ao órgão, ao questionar o motivo do desligamento, a trabalhadora teria sido informada de que a decisão partiu de uma “ordem de cima”, sem apresentação de justificativa técnica, funcional ou disciplinar. A representação aponta ainda que fotografias da participação dela no ato foram publicadas no status do WhatsApp.
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