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NO FÓRUM DE MUTUM 22.01.2026 | 08h54

Júri dos assassinos de Raquel Cattani começa; delegado diz que réu é 'astuto, calculista e frio'

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Alair Ribeiro/TJMT

Alair Ribeiro/TJMT

Atualizada às 11h - Dois homens e 5 mulheres foram o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri que julga, na manhã desta quinta-feira (25), Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pelo assassinato de Raquel Cattani, em 2024. Os dois delegados que investigaram o crime foram os primeiros a serem ouvidos e destacaram a frieza do Romero e a ação de Rodrigo no crime premeditado pelo irmão. Confira abaixo:

 

Conforme as informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça (TJMT), a sessão, presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, começou 8h21 com a leitura do termo de apregoamento. Logo em seguida, foi feito o sorteio dos 7 jurados, sendo dois homens e 5 mulheres.

 

A denúncia contra os irmãos Romero e Rodrigo foi feita pelo Ministério Público, representado pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes.

 

A defesa é realizada pela Defensoria Pública do Estado, com atuação do defensor Guilherme Ribeiro Rigon em favor de Rodrigo Xavier Mengarde e do defensor Mauro Cezar Duarte Filho em favor de Romero Xavier Mengarde.

 

Delegado do caso é ouvido

 

O primeiro a ser ouvido foi o delegado Guilherme Pompeo, responsável pela investigação do assassinato. Ele recorda que no começo das diligências, Romero se apresentou de forma espontânea ao descobrir que a ex-mulher foi morta.  

 

Delegado contou que ele foi interrogado e contou que passou em 3 casas de prostituição na noite do crime. Porém, câmeras de segurança registraram o veículo do réu saindo de Tapurah em direção ao Pontal do Marape, onde Raquel foi morta. 

 

Ao chegar ao local dos fatos, o delegado relatou que havia diversas autoridades presentes, mas que a cena estava devidamente preservada. Ele destacou que, inicialmente, a investigação apontava o ex-marido da vítima como principal suspeito, o que motivou a divisão estratégica das equipes entre Tapurah e o local do crime.

 

Alair Ribeiro/TJMT

Júri - Raquel Cattani - delegado Guilherme Pompeo

 

 

Durante a apuração inicial, Pompeo destacou que foi descartado que Romero seria o autor do crime. Ele apresentou álibi detalhado e consistentes. Após isso, foi realizado um trabalho detalhado com provas técnicas e digitais, como os vestígios deixados no local, acesso de internet e outros. 

 

A investigação passou a buscar quem teria motivação para cometer o homicídio e de que forma o crime foi praticado. O delegado relatou ainda que, após saturar toda a região, a Polícia Civil realizou um trabalho extenso de campo, com a entrevista de cerca de 155 pessoas, incluindo trabalhadores e moradores, para esclarecer os fatos e identificar possíveis envolvidos.

 

Com a evolução da investigação, a polícia chegou até o irmão de Romero, Rodrigo Xavier, que confessou o crime. Ele disse que esperou a vítima chegar em casa. Ele arrombou o local e ficou escondido no quarto. 

 

Ao sentir o odor estranho, a vítima passou a procurar a origem do cheiro, falando em voz alta. Quando ela se dirigiu ao quarto para verificar, Rodrigo a surpreendeu e desferiu diversos golpes de faca.

 

Após o crime, segundo o depoimento, o réu forjou a cena, revirando apenas o quarto da vítima, deixando uma televisão do lado de fora da casa e, em seguida, fugiu com a motocicleta.

 

Outro ponto destacado pelo delegado foi a prova técnica relacionada às ERBs (Estações Rádio-Base), que são as torres de telefonia celular. A análise do sinal do celular de Rodrigo demonstrou toda a circulação do réu, desde a chegada ao local do crime até a fuga, corroborando a confissão.

 

Ainda conforme o delegado, imagens e registros de deslocamento mostram Rodrigo deixando o local em alta velocidade, usando uma camiseta rosa, e seguindo por diversas cidades da região.

 

O trajeto foi parcialmente reconstruído a partir de dados telefônicos, imagens de câmeras e registros de passagem, inclusive com tentativas do réu de dificultar a identificação, como a ocultação da placa da motocicleta.

 

O delegado afirmou que a soma da confissão, das provas técnicas e do rastreamento do celular permitiu reconstruir a dinâmica do crime e da fuga, reforçando a presença de Rodrigo na cena do homicídio.

 

'Astuto, Calculista e Frio'

 

Em resposta ao promotor João Marcos Paula Alves, o delegado informou que Romero, ao longo da investigação, se mostrou astuto, calculista e frio. Demonstrou ainda um comportamento melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, se mostrando "esperto" e "malandro". 

 

Também foi observado a ausência de reação emocional, nem de tristeza, nem de felicidade. Investigação apontou ainda comportamento de perseguição e controle de Romero contra Raquel antes do crime. 

 

Segundo o delegado, testemunhas relataram que Raquel teria sido surpreendida pela presença de Romero poucas semanas antes do homicídio, no sítio dos pais da vítima, local onde ele não residia. Conforme os relatos, Romero apareceu de forma inesperada, à noite, o que teria causado choque e medo em Raquel.

 

Alair Ribeiro/TJMT

Júri - Raquel Cattani - delegado Guilherme Pompeo

 

 

O delegado afirmou que essas informações foram confirmadas por pessoas próximas, incluindo familiares e amigas da vítima, que descreveram um comportamento obsessivo, marcado por tentativas de controle, vigilância e interesse constante sobre onde Raquel estava e com quem se relacionava.

 

Ainda conforme o depoimento, embora não haja registro de agressões físicas, as testemunhas apontaram que Raquel teria vivido por anos sob pressão psicológica, sendo tratada de forma desrespeitosa e agressiva. O delegado classificou esse histórico como tortura psicológica, destacando que esse tipo de conduta também gera sofrimento intenso à vítima e reflexos negativos aos filhos.

 

Humilhações e crises de fúria

 

A segunda testemunha é o delegado Eduardo Edmundo Félix de Barros Filho, que também atuou no caso. Ele contou que durante a oitiva dos familiares e amigos de Raquel, todos relataram histórico de violência doméstica sofrida pela vítima, que nunca chegou a registrar nenhum boletim de ocorrência contra o agressor.

 

Para o delegado, essa ausência de núncia é comum em casos onde há violência psicológica. Os depoimentos apontam casos de xingamentos com tratamento pejorativo e humilhações, inclusive relacionados a um problema auditivo que Raquel tinha. Ele fazia chacotas da condição.  

 

Alair Ribeiro/TJMT

Júri - Raquel Cattani - Eduardo Edmundo Félix de Barros Filho

 

 

Testemunhas ainda disseram à polícia que Romero tinha crises de fúria, descontrole emocional e pressão psicológica. Foi dito ainda que ele teria tomado remédios com objetivo de cometer suicídio. Essa seria uma das formas de manipulação emocional para manter o relacionamento com a vítima.

 

Para o delegado, ficou claro que ela vivia um "ciclo de violência", caracterizado por "lua de mel" e depois momentos de agressividade. Com o avanço da investigação, não restou dúvida de que Rodrigo, irmão de Romero, era o executor do crime.

 

Segundo ele, a identificação ocorreu a partir das diligências realizadas após a localização da motocicleta da vítima, o que, na avaliação da polícia, afastou a possibilidade de participação de terceiros na execução.O delegado explicou que, a partir desse ponto, não havia outra pessoa com motivação e condições de arquitetar o crime, senão Romero Xavier Mengarde, apontado como autor intelectual.

 

Alair Ribeiro/TJMT

Júri - Raquel Cattani - Eduardo Edmundo Félix de Barros Filho

 

 

Rodrigo tinha histórico criminal, mas de menor potencial - como furto e danos. O delegado explicou que pessoas que cometem crimes patrimoniais costumam seguir um modus operandi específico, e uma escalada direta para um crime de homicídio ou latrocínio não seria compatível com o histórico de Rodrigo.

 

Filho destaca ainda que, para cometer o crime, Romero prometeu um pagamento ao irmão. Além disso, um detalhe chamou atenção dos policiais e que foi um elemento relevante para o crime, o resgate do convício e do prestígio familiar de Rodrigo com Romero. 

 

Os dois já não eram tão próximos, mas passaram a se ver com mais frequência dias antes do crime. A mãe deles contou em depoimento que Rodrigo disse que estava feliz com a visita do irmão, o que era incomum. 

 

Alair Ribeiro/TJMT

Júri - Raquel Cattani - Eduardo Edmundo Félix de Barros Filho

 

 

Para ele, está claro que houve um planejamento prévio do assassinato. Entre as provas, constam mensagens e diálogos entre os dois, tal como "que horas nós vamos sair amanhã?" e referência a roupas já separadas. 

 

Imagens de câmeras de segurança de Lucas do Rio Verde também ajudaram a reconstruir o trajeto. O delegado explicou que Rodrigo seguiu por uma rota incompatível com um deslocamento direto ao Pontal do Marape, o que indicaria que ele passou antes para buscar Romero.

 

Consta ainda, segundo a investigação da polícia, que Rodrigo não tinha vínculo, rotina ou conexões que o levassem até Pontal do Marape. Também não tinha costume ou histórico de frequentar o local. Raquel e Rodrigo não tinham qualquer convívio, nem mesmo conflito, que justificasse o crime por conta própria.  

 

Delegado foi categórico ao afirmar que Rodrigo não tinha nenhum motivo autônomo para matar Raquel. A investigação aponta que ele matou a vítima a mando de Romero. 

 

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