CASO RAQUEL CATTANI 22.01.2026 | 12h47

yuri@gazetadigital.com.br
Alair Ribeiro/TJMT
Atualizada às 14:30 - Após o Tribunal do Júri ouvir os dois delegados responsáveis pela investigação, a mãe de Raquel Cattani sentou no banco das testemunhas. Bastante emocionada, Sandra Cattani contou a rotina da filha e o desespero de encontrá-la sem vida.
As informações do júri estão sendo repassadas pela assessoria de comunicação do TJ à imprensa. Por volta das 11h31, Sandra iniciou seu depoimento contando que estranhou a ausência de Raquel na manhã do crime, já que era habitual a filha aparecer cedo em sua casa. Preocupada, ela decidiu ir até a residência da jovem para verificar o que havia acontecido.
Segundo relatou, a porta estava fechada. Ao entrar, encontrou Raquel caída no chão. Inicialmente, pensou que a filha pudesse ter passado mal, mas ao se aproximar percebeu que o corpo estava gelado e rígido. Contou que chamou a filha, mas entendeu que ela estava morta. Lembrou que não conseguia acreditar no que estava vendo.
Segundo a mãe, a filha e o ex-companheiro, Romero, estavam afastados e que, um dia antes do crime, ele havia buscado os filhos para passarem a noite na casa da avó, em razão do aniversário de um deles. Durante o almoço em família, segundo a mãe, Raquel evitou tirar fotos com Romero, demonstrando o distanciamento entre o casal.
Mais tarde, Romero teria chorado ao se despedir da família, o que chamou a atenção de Sandra. Depois disso, ele saiu com as crianças e, conforme o relato, seguiu para a casa de Raquel. No fim da tarde, mãe e filha ainda se encontraram brevemente. Raquel comentou que, no dia seguinte, passaria na casa de uma amiga para provar um vestido antes de viajar. Esse foi o último contato entre as duas.
Em outro trecho, a testemunha explicou que o casal vivia um ciclo de separações e reconciliações, mas que Raquel estava decidida a não reatar o relacionamento. Mesmo casados no papel, estavam separados de fato há cerca de 30 dias. Raquel dizia que não aguentava mais e que queria seguir em frente.
A mãe contou que, após o término, Raquel passou a dormir com frequência na casa dos pais, pois não se sentia à vontade para ficar sozinha. O contato com Romero era mantido apenas por causa dos filhos.
Durante questionamento do Ministério Público, Sandra relatou que as crianças hoje estão sob os cuidados da família e que sabem da morte da mãe. Emocionada, afirmou que os pequenos sentem muita falta de Raquel.
Sandra confirmou que Romero teve dificuldades em aceitar o fim do relacionamento, mas que, com o tempo, houve acertos informais sobre bens e os cuidados com os filhos, sem formalização em cartório. Disse ainda que Rodrigo, irmão de Romero, não tinha convivência com a família e que, segundo ela, os irmãos passaram anos sem contato.
Sandra afirmou que Romero tinha acesso ao celular de Raquel sem a permissão dela. Segundo a testemunha, ele chegou a expor conversas privadas da vítima com um amigo, retiradas do aparelho. Sandra confirmou ainda que reconheceu o perfume encontrado na casa de Rodrigo como sendo o mesmo que havia presenteado Raquel, trazido de viagem.
Questionada sobre o que espera do julgamento, Sandra Cattani declarou que espera que Deus amenize a dor, que Raquel faz falta e espera que Romero e Rodrigo sejam condenados à pena máxima.
A defesa de Romero questionou Sandra Cattani sobre o dia da prisão do réu.A testemunha relatou que Romero estava na residência, com outras pessoas presentes, quando a equipe policial chegou. Segundo ela, o delegado Edmundo Félix chamou Romero, que se levantou e acompanhou os policiais.
Sandra contou que, naquele momento, não recebeu explicações detalhadas sobre o que estava acontecendo. Ela informou ainda que os policiais retornaram à residência posteriormente para buscar alguns pertences e que, após ser conduzido a Nova Mutum, Romero foi inicialmente liberado, enquanto a investigação prosseguia, com a oitiva de diversas pessoas.
Sandra afirmou que, à época, a família sabia que a polícia havia investigado mais de cem pessoas e que, mesmo sem confirmações oficiais naquele momento, já desconfiava da responsabilidade de Romero, com a confirmação vindo posteriormente no curso das investigações.
Ao falar sobre a filha, Sandra se emocionou ao descrevê-la como uma mulher trabalhadora, simples e dedicada, criada no sítio, onde viveu e trabalhou por muitos anos. Relatou que Raquel era produtora de queijos, estava em plena ascensão profissional, cuidava sozinha da casa, dos filhos e da produção rural, realizando tarefas pesadas diariamente. A mãe destacou o vínculo afetivo de Raquel com os filhos, o amor pelos animais e a rotina intensa de trabalho.
Reafirmou que a filha sofreu violência psicológica, com episódios de humilhações e xingamentos, inclusive relacionados à perda auditiva, o que causava sofrimento constante. Sandra afirmou que Raquel tentou manter o relacionamento, mas que, diante da pressão psicológica e do desgaste emocional, decidiu definitivamente se separar, por não suportar mais.
A sessão do Tribunal do Júri foi suspensa para intervalo de uma hora para o almoço.
O Tribunal do Júri retomou, no início da tarde, após a pausa para o almoço. Três testemunhas foram ouvidas, duas delas relacionadas pela defesa de Romero.
Às 13h26, Marcos Bilibio afirmou ter se encontrado brevemente com Romero no dia do crime, quando ele teria oferecido novilhas para venda. Disse que o encontro ocorreu em outro ponto da região, longe do sítio da vítima, e que não viu ninguém acompanhando Romero.
Às 13h39, por videoconferência, Anderson de Barros Sampaio relatou não se lembrar com precisão do horário do encontro, estimando por volta das 22h, e afirmou que não houve conversa relevante sobre o crime.
A última testemunha, Samoel Marcos da Conceição, ouvida às 14h03, disse que esteve com Romero em um encontro casual para beber, que se estendeu até cerca de 3h ou 4h da madrugada, sem ter conhecimento do crime na ocasião.
O julgamento segue com as próximas etapas do processo.
Júri em andamento
Dois homens e 5 mulheres foram o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri que julga, na manhã desta quinta-feira (25), Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pelo assassinato de Raquel Cattani, em 2024. Os dois delegados que investigaram o crime foram os primeiros a serem ouvidos e destacaram a frieza do Romero e a ação de Rodrigo no crime premeditado pelo irmão.
Conforme as informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça (TJMT), a sessão, presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, começou 8h21 com a leitura do termo de apregoamento. Logo em seguida, foi feito o sorteio dos 7 jurados, sendo dois homens e 5 mulheres.
A denúncia contra os irmãos Romero e Rodrigo foi feita pelo Ministério Público, representado pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes.
A defesa é realizada pela Defensoria Pública do Estado, com atuação do defensor Guilherme Ribeiro Rigon em favor de Rodrigo Xavier Mengarde e do defensor Mauro Cezar Duarte Filho em favor de Romero Xavier Mengarde.
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