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Cuiabá, Terça-feira 27/01/2026

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abandonada em vala na rua 27.01.2026 | 19h10

Réu é condenado a 19 anos por matar e arrastar vítima presa a moto

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Josi Dias/TJMT

Josi Dias/TJMT

O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop (500 km ao Norte) condenou Wellington Honorato dos Santos a 19 anos e dois meses de prisão pelo assassinato de Bruna de Oliveira, 24, ocorrido em junho de 2024. A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença após um dia inteiro de julgamento, marcado por interrogatórios e sustentações orais da acusação e da defesa, nesta terça-feira (27).

 

O réu foi considerado culpado pelo crime de homicídio qualificado e pela ocultação de cadáver a uma pena de 19 anos e dois meses de prisão em regime fechado, mais 15 dias-multa, fixados na sentença pelo juiz Walter Tomaz da Costa. Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público, que sustentou que o crime foi cometido de forma cruel.

 

Durante os debates, o MP destacou que a conduta do réu após o crime, ao limpar o sangue da cena, ocultar o corpo, amarrá-lo a uma motocicleta e arrastá-lo por ruas da cidade, não condiz com a postura de alguém arrependido. Isso apesar de Wellington ter pedido perdão à família e afirmado que se arrependeu durante o interrogatório.

 

O julgamento durou o dia todo. Os jurados reconheceram a prática do homicídio e acolheram as qualificadoras sustentadas pelo Ministério Público, que apontou a brutalidade do crime e o modo como a vítima foi tratada após a morte.

 

Bruna foi morta e arrastada por cerca de três quadras até uma região de mata, no dia 2 de junho de 2024. Câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima é puxada por uma motocicleta, presa por correntes ao pescoço. O corpo foi posteriormente jogado em uma vala.

 

De acordo com o laudo pericial, Bruna já estava morta antes de ser arrastada. Um corte profundo foi encontrado em seu pescoço, feito por arma branca ou objeto cortante, que nunca foi localizado.

 

A motivação do crime, segundo a acusação, foi uma discussão entre os dois envolvendo a venda de um ventilador para compra de droga.

Leia também - 'Eu quebrei o pescoço dela', réu confessa crime durante interrogatório

 

Destaques

Um dos momentos mais emocionantes da sessão foi o depoimento de Bruno de Oliveira Rabuka, irmão da vítima, que foi a segunda testemunha de acusação. Ele encontrou o corpo de Bruna na vala.

 

Bruno foi ouvido por videoconferência, já que está custodiado na Penitenciária Ferrugem, em Sinop. Em forte relato, contou que localizou a irmã em uma valeta com cerca de dois metros de profundidade. “O corpo dela estava todo rasgado. Só foi possível ver por causa das marcas de sangue”, afirmou.

 

Ele destacou o impacto devastador da morte na família: “Ele não matou só a Bruna. Matou a família toda.”

 

Bruno também relatou que enfrenta dependência química e que a morte da irmã agravou ainda mais seu estado emocional.

“Ver minha irmã morta da forma como ela foi morta mexeu com meu psicológico”, disse. 

 

Zulmira da Rosa, avó materna de Bruna, foi ouvida como informante, já que a mãe da vítima é falecida. Ela relatou que Bruna deixou três filhas, todas com menos de doze anos. Duas estão sob os cuidados do pai, e a filha do meio vive com um filho dela e a nora.

 

Segundo Zulmira, a família tenta manter as irmãs unidas. “Elas se viram no último domingo. Eu sempre tento organizar para que fiquem juntas”, contou.

 

Em sua fala aos jurados, o promotor do MP fez um questionamento contundente: “A vida de uma pessoa vale menos que R$ 300? Menos que um ventilador? Wellington acabou com a vida do irmão dela, que entrou para o mundo das drogas, e prejudicou as filhas que tiveram de ser separadas, aquilo que ela mais temia.”

 

Ele ressaltou a vulnerabilidade da vítima e a gravidade da violência empregada. Ao encerrar sua sustentação, o promotor destacou o sofrimento das filhas de Bruna: “A filha mais nova, atendida por uma psicóloga, mantém um amor que transcende, e a criança sofre de uma forma que também transcende. A única coisa que ela queria era um gesto de afeto da mãe. O amor é mensurável, mas também é algo que não podemos explicar, apenas sentir.”

 

O promotor citou os nomes das três crianças órfãs e reforçou o impacto permanente da tragédia sobre a família.

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