décadas de história 02.08.2026 | 08h00

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Divulgação
A derrota do senador Jayme Campos na convenção do União Brasil, na quinta-feira (30), representa mais do que um revés na disputa interna pela candidatura ao governo do Estado. Na avaliação da analista política Christianny Fonseca, o resultado simboliza a perda de controle do parlamentar sobre o partido que ajudou a construir ao longo de mais de quatro décadas e consolida o protagonismo do ex-governador Mauro Mendes na estrutura da sigla, por conseguir.
Jayme integra a legenda desde a época da Arena e acompanhou as transformações até se tornar o União Brasil. Para Christianny, justamente por essa trajetória, a derrota dentro da própria legenda ganha um peso político ainda maior.
“Jayme Campos sai derrotado dentro de um partido que ele ajudou a construir há mais de 40 anos. Está nesse partido desde quando era Arena, PFL, DEM e União Brasil. Ou seja, ele tem toda uma construção histórica nesse partido. E aí o revés político se torna mais duro, porque é justamente nesse espaço que Jayme Campos, quiçá, imaginaria que ele precisaria ser submetido a uma votação”, analisou.
Segundo a analista, o resultado também representa uma mudança na correlação de forças dentro do União Brasil. Mauro Mendes, que chegou à legenda com apoio de lideranças como Jayme, passou a ocupar o centro das decisões partidárias e, na convenção, conseguiu impor a preferência pelo projeto do vice-governador Otaviano Pivetta ao governo do Estado. Na avaliação dela, a relação entre os dois grupos nunca significou, necessariamente, uma aliança política permanente.
“E o fato de eles estarem no mesmo partido nunca fez deles pessoas de um mesmo grupo, agentes políticos de um mesmo grupo. O que se tinha eram dois aliados ocupando o mesmo partido. Ele foi colocado à prova, ele perde dentro do partido que ele mesmo construiu, dando protagonismo ao ex-governador Mauro Mendes”, afirmou.
A analista também destacou que a situação tem um componente de ironia política. Jayme foi uma das figuras que abriu espaço para Mauro Mendes dentro do partido, mas acabou perdendo influência sobre a estrutura que ajudou a consolidar.
“Ele abriu as portas do partido, que ele foi uma das pessoas que favoreceu que ele, inclusive, viesse a ser presidente estadual do partido e acabou, então, perdendo qualquer controle dentro dessa estrutura partidária. A partir desse momento, o jogo muda completamente”, afirmou.
Apesar da derrota na convenção, Christianny avalia que Jayme não sai politicamente enfraquecido na mesma proporção em que perdeu espaço na estrutura partidária. Aos 77 anos e com seis mandatos acumulados entre prefeitura, Senado e governo, além de aparecer em segundo lugar em pesquisas eleitorais, o senador ainda preserva um capital político relevante.
“Estamos falando de alguém que já ocupou seis mandatos no Estado de Mato Grosso, que vinha aparecendo nas pesquisas na segunda posição, então era um nome extremamente competitivo. Mas, estando ele fora, ele também se torna um excelente cabo eleitoral para quem ele venha agora aderir a um projeto para o governo do Estado”, avaliou.
Christianny aponta Wellington Fagundes como o caminho mais provável para uma aproximação diante da derrota de Jayme.
“Essa fagulha dessa derrota, que foi uma derrota acachapante, vai fazer com que Jayme Campos e o seu grupo sejam um ativo eleitoral direto de um projeto que, com certeza, venha a ser o mais competitivo diante da candidatura de Otaviano Pivetta”, concluiu.
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