estava drogado 27.01.2026 | 15h13

maria.klara@gazetadigital.com.br
Josi Dias/TJMT
O julgamento de Wellington Honorato dos Santos foi retomado às 13h35 desta terça-feira (27), no Fórum da Comarca de Sinop (500 km ao Norte), sob presidência do juiz Walter Tomaz da Costa. Preso desde 2024 pelo assassinato de Bruna de Oliveira, 24, o réu participou da audiência por videoconferência a partir da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Logo no início do interrogatório, o magistrado questionou Wellington sobre o contato com a defesa. Ele respondeu que teve acesso ao material do processo em sala reservada. O réu informou ser marmorista de profissão, confirmou que morava na quitinete onde ocorreu o crime e disse que possui três filhos, sendo um de criação.
Ao falar sobre sua saúde, Wellington comentou, sorrindo, que já passou por acompanhamento psiquiátrico, mas que atualmente não tem mais acesso ao profissional. Disse que faz uso de remédios para dormir, mas que não recebe a medicação adequada na prisão por falta de médicos. Também afirmou que já havia sido preso anteriormente por posse de drogas, mas que não chegou a ser processado.
Durante o depoimento, Wellington admitiu que matou Bruna de Oliveira. Ele declarou que estava “drogado” e fora de si no momento do crime e afirmou estar profundamente arrependido. Disse que não se considera usuário frequente de drogas, mas que, naquele dia, havia comprado cocaína da própria vítima para que ambos consumissem.
“Comprei pra gente usar”, afirmou.
Segundo o réu, horas antes do crime, Bruna teria se aproximado para pedir desculpas após uma discussão anterior, na qual, segundo ele, ela o teria ameaçado dizendo ser integrante de facção criminosa. Wellington afirmou que, em Sinop, outra liderança comandaria a região onde a vítima morava. Ele negou qualquer relação com Bruna. Questionado sobre relações sexuais ele também negou e disse saber que ela era mãe.
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Ainda conforme seu relato, os dois consumiram drogas juntos naquele dia e, em determinado momento, Bruna voltou a mencionar ligação com facção criminosa, batendo no peito e dizendo que chamaria “os irmãozinhos dela”.
“Ela ficava falando de facção e que iria chamar os irmãozinhos dela, e eu quebrei o pescoço dela”, declarou o réu em plenário.
Wellington disse que não se lembra de ter cortado o pescoço da vítima e que só percebeu a gravidade da situação depois. Em seguida, contou que amarrou o corpo de Bruna na garupa da motocicleta para transportá-lo até outro local, utilizando uma corda e uma corrente para tentar equilibrar o peso.
Ele relatou que, durante o trajeto, o corpo acabou caindo da moto e sendo arrastado enquanto ele seguia com o veículo. Segundo o próprio réu, não viu como o pescoço da vítima ficou após a queda.
Em vários momentos do depoimento, Wellington Honorato chorou, pediu perdão à família de Bruna e afirmou que errou.
“Eu errei. Tenho que pagar pelo que fiz”, disse.
Durante a oitiva conduzida pela defesa, Wellington foi questionado sobre o risco que uma mulher de pequeno porte físico poderia representar para ele. Em resposta, alegou que vivia com medo por supostas ameaças ligadas à facção criminosa.
Relatou que, em uma ocasião anterior, um homem armado teria ido até sua quitinete e encontrado Bruna no local. Em outro episódio, disse ter tomado conhecimento de que uma criança de 14 anos teria sido alvo da facção.
O réu também afirmou que, no momento do crime, acreditava estar em perigo e agiu por medo, associado ao efeito das drogas.
O julgamento de Wellington Honorato dos Santos segue com a fase de debates entre acusação e defesa. Após as sustentações, os sete jurados irão se reunir para votar os quesitos apresentados pelo juiz, decidindo por maioria simples sobre a materialidade, autoria e eventual absolvição ou condenação do réu.
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