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Deu em A Gazeta 05.11.2019 | 07h42

Testemunha nega ligação entre tortura e morte de Rodrigo Claro

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Arrolado como testemunha de defesa, o perito Dionísio José Bochese Andreoni, responsável pela necropsia no corpo do aluno do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro, descarta ligação entre a morte com as sessões de tortura que, segundo denúncia do Ministério Público, ocorreram durante um treinamento aquático ministrado pela tenente Izadora Ledur. Na audiência de instrução desta segunda-feira (04), na Vara Militar, o perito afirmou que a morte foi por Acidente Vascular Cerebral (AVC), do tipo hemorrágico, mas não soube delimitar a preexistência do aneurisma. Além de Bochese, foi ouvido o bombeiro Janisley Teodoro. A continuidade da audiência com oitiva da última testemunha e interrogatório de Ledur está marcada para 12 de março de 2020.

 

O crime de tortura pode ser desqualificado caso o juízo militar entenda que os atos elencados na denúncia não contribuíram para o ocorrido. No laudo, assinado em dezembro de 2016, são formuladas quatro perguntas, entre elas a causa da morte e especificar de que forma foi produzida, se com asfixia, tortura, arma de fogo, entre outros. A especificação da causa não foi delimitada pelo perito no documento. O esclarecimento do perito foi solicitado para que o mesmo explicasse se a morte de Claro estava ligada com o treinamento ocorrido na lagoa, já que o mesmo atestou como morte natural.

 

Bochese frisa que as únicas lesões encontradas no cadáver foram hemorragias entre couro cabeludo e crânio. Ele salienta que diante do relato médico de que Claro sofreu convulsões nas unidades de saúde, este achado é esperado. O perito destaca que a necropsia não detectou qualquer evidência de asfixia e quem prestou os primeiros atendimentos confirmou que as vias aéreas da vítima estavam livres. “O AVC é ruptura de vaso, só rompe quando é mal formado ou quando está doente. Nos jovens é sempre má-formação. A causa morte foi uma hemorragia cerebral, um AVC do tipo hemorrágico. Mas a perícia não conseguiu localizar a má-formação e a origem do sangramento”, diz.

 

Na época da necropsia houve atraso no laudo devido à falta de luvas e um material para fixação a ser utilizado no material a ser analisado. No entanto, o perito alega que estas ausências não comprometeram a realização do laudo.

Apesar da chance de cura nos casos de acidente vascular chegar a 95%, quando socorrido aos primeiros sinais, o perito salientou que não houve demora. E que o nexo de tempo ao atendimento não poderia influenciar em outro resultado. “Os sinais narrados na denúncia não levariam ao rompimento do vaso. Se existisse a comorbidade, o sangramento poderia ocorrer até mesmo se a vítima estivesse em repouso”, complementa.

 

Promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, afirma que no entendimento do Ministério Público não ficou descartado, no depoimento do perito, que a morte foi motivada pela tortura. “Por enquanto continua a tese constante na denúncia, que a tortura sofrida por Rodrigo Claro foi fundamental para ensejar o óbito. Ele não pode afirmar a preexistência de aneurisma”.

Na primeira audiência sobre o caso, a testemunha de acusação, também vítima de Ledur, Maurício dos Santos, afirmou que era torturado e também sofreu afogamentos. Ele destacou que só não teve o mesmo destino que Rodrigo pela decisão de desistir do curso. Em um dos trechos do relato, Maurício diz que em uma ocasião foi salvo pelo capitão Janisley Teodoro Silva. Teodoro depôs ontem como testemunha de defesa e negou qualquer prática de tortura. Ele era quem acompanhava os treinamentos aquáticos durante o curso de formação.

 

O capitão relatou que Maurício apresentava problemas de saúde, sendo, por várias vezes, socorrido com quadro de pressão alta. “Nunca presenciei aluno sendo torturado. Maurício já me procurou dizendo que estava passando mal e com dor de cabeça. Ele estava na fase final e só apresentou vontade de desistir em fase anterior. Mas nada de diferente”, diz. Laudo de angiografia, exame radiográfico dos vasos sanguíneos, descartaram que Rodrigo Claro tivesse qualquer má-formação que pudesse resultar no acidente vascular cerebral. O documento foi assinado no dia 11 de novembro de 2016, um dia após Rodrigo ser internado. O laudo, assinado pelo médico Fábio Ridolfi, conclui que o aluno não tinha qualquer alteração nos vasos sanguíneos ou dilatações aneurismáticas.

 

Jane Patrício, mãe de Rodrigo Claro classificou como “vazios” os depoimentos desta segunda-feira (4). Para ela, há claras evidências de tentativas de livrar a culpa de Ledur. Um dos destaques, segundo Jane, é do depoimento do capitão Janisley Teodoro, negando as torturas sofridas pelo ex-aluno Maurício. “Ele colocou Maurício como mentiroso e Ledur como vítima, os papéis se inverteram. Como aconteceu no caso do Rodrigo”, diz.

 

Apesar do adiamento da audiência apenas para março do ano que vem, a família de Rodrigo segue esperançosa. “Jamais vamos decidir desta luta, independente do tempo que durar. Nossa luta sempre foi por justiça, nunca por vingança”.

Jair Patrício de Lima, avó de Rodrigo, foi quem criou o jovem. Ele destaca que sempre deu incentivo ao neto para seguir na carreira de bombeiro. Mas teme que haja conivência do Poder Judiciário, governo do Estado e Corpo de Bombeiros para a não punição de Ledur. “Peço encarecidamente que não deixe manchar a corporação com a minoria de elementos que não a representam”.

 

O avô de Rodrigo reforça que serviu o Exército e a Polícia Militar, mas na corporação jamais viu situações como essa. Segundo ele, há treinamento pesado pelo que a profissão exige, mas não a ponto de tirar a vida por perseguição. “Hoje a sensação que temos é que há uma manobra muito grande para defender, tirar a culpa da tenente Ledur, causadora da morte do meu neto”, diz.

 

Confira reportagem completa na edição do Jornal A Gazeta

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Comentários

Diogo Vargas - 05/11/2019

Oque estão fazendo com a Tenente Ledur uma verdadeira injustiça.

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