APÓS 3 DIAS 02.10.2026 | 07h11

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Josi Dias
Após três dias de julgamento e análise de um processo com mais de 55 mil páginas, o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou os 3 acusados de participação na morte do advogado Roberto Zampieri. Somadas, as penas chegam a 68 anos, 9 meses e 30 dias de prisão. A sentença foi proferida às 00h49 desta sexta-feira (2).
Antônio Gomes da Silva foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. Ele é o atirador que matou o advogado. Hedilerson Fialho Martins Barbosa recebeu pena de 25 anos, apontado como o fornecedor da arma usada no crime. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias. Ele é coronel reformado e foi apontado como intermediário/ financiador do crime.
As penas deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado, mantendo-se a prisão preventiva dos condenados.
Ao final, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade dos três réus pelo assassinato. O Conselho de Sentença também reconheceu as três qualificadoras apontadas na denúncia: homicídio mediante paga ou promessa de recompensa, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito.
Julgamento
O julgamento foi marcado pela apresentação de provas, depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus e debates entre acusação e defesa. A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com participação do assistente de acusação Giovani Santin, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, que participaram das investigações, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Também prestaram depoimento José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.
Os relatos abordaram a dinâmica do assassinato, a participação atribuída aos acusados e as provas reunidas durante a investigação. No segundo dia, os três réus foram interrogados. Já na última etapa, acusação e defesa apresentaram os argumentos finais aos jurados.
Durante a réplica, o Ministério Público destacou o rastreamento financeiro relacionado ao crime. Segundo a acusação, ficou comprovado o pagamento de R$ 124.250 antes da execução e outros R$ 60 mil após o homicídio. Os valores teriam origem em recursos repassados pelos apontados mandantes.
Outro ponto apresentado durante o julgamento foi a suspeita de que Etevaldo teria pedido entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não revelassem às autoridades quem seriam os mandantes do assassinato.
Ao defender a condenação, o promotor Samuel Frungilo ressaltou a quantidade de provas reunidas no processo. “Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou.
Já o promotor Vinícius Gahyva Martins destacou o planejamento do crime e a escolha do momento em que a vítima estaria vulnerável. “Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, declarou.
Conforme a denúncia, Antônio Gomes da Silva foi apontado como o autor dos disparos que mataram Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria participado da execução do plano criminoso, inclusive fornecendo a arma utilizada no homicídio. Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, por sua vez, foi acusado de integrar a empreitada criminosa.
Relembre o caso
O advogado Roberto Zampieri foi morto na noite de 5 de dezembro de 2023, no momento em que saía de seu escritório de advocacia e entrava em seu veículo. O atirador, Antônio Gomes da Silva, aguardou a vítima na calçada portando uma arma escondida em uma caixa de presente e efetuou os disparos à queima-roupa.
As investigações da Polícia Civil e as denúncias apresentadas pelo Ministério Público apontaram que o crime foi planejado e motivado por disputas de terras e decisões judiciais no Estado de Mato Grosso. Posteriormente, perícia em seu celular apontou comércio de sentenças entre magistrados de Mato Grosso e até de instâncias superiores.
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