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Morte no Alphaville 16.09.2020 | 14h07

Menor que matou Isabele deixa o Pomeri com 'esquema de segurança' nunca visto

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João Vieira

João Vieira

Manobras de defesa e de privilégios marcaram a saída da ré B.C., 15, do Centro Socioeducativo Menina Moça, no final da manhã desta quarta-feira (16), após passar menos de 12 horas internada conforme decisão da 2º Vara da Infância e da Juventude de Cuiabá. Agentes do Sistema Socioeducativo e policiais militares foram acionados para ‘afastar’ a imprensa da porta da unidade, o que foi considerado 'prodecimento padrão'. 

 

Invocando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), coordenador da segurança do socioeducativo, Glauder Figueiredo, chegou dizendo que não iria impedir os trabalhos da imprensa, mas que queria repórteres, fotógrafos e cinegrafistas – que estão há mais de 50 dias envolvidos na cobertura da morte da menina Isabele Ramos – longe da porta do Menina Moça.

 

Leia também - Cestari diz que quis pedir perdão e teve 'portas fechadas'

 

“Pelo ECA, a imagem da adolescente é preservada e temos um procedimento padrão de isolamento do local”, disse ele na tentativa de tirar a imprensa da porta, facilitando a saída da ré. O que foi contestado pelos jornalistas que cobrem a rotina policial, que nunca viram esse procedimento sendo aplicado.

 

Questionado sobre os agentes e a PM no local, ele afirmou que não há ‘segurança diferenciada’, alegou ainda que a família Cestari pediu apenas para que a integridade da ré fosse resguardada. E não foi só Figueiredo que usou o ECA para driblar a imprensa.

 

Advogado de defesa da menina, Artur Osti, também falou com a imprensa e pediu para que a imagem dela fosse preservada, como prevê o ECA. Enquanto isso havia uma movimentação de veículos oficiais da Segurança Pública, bem como dos advogados.

 

“Vou pedir para todos vocês, que hipótese alguma façam alguma publicação com a imagem da menor. O espaço aqui é público, vocês têm o total direito de ficar aqui. Pedido para que continue sendo dado esse resguardo”, disse.

 

Questionado sobre a segurança reforçada e isolamento na porta do Menina Moça, ele normalizou a operação. “Se houver repercussão, como está havendo, é normal”, destacou. A menor deixou o Pomeri minutos depois sem que a imprensa a visse. Não se sabe por qual portão ela saiu.

 

HC concedido

Justiça decretou o habeas corpus da menor acusada de matar a amiga Isabela Ramos, 14, com tiro no rosto, menos de 11 horas após ela ter dado entrada no Centro Socioeducativo Menina Moça, em Cuiabá, para cumprir a internação preventiva de 45 dias. A defesa alegou ilegalidade, o que foi aceito.

 

“A decisão, em razão da sua ilegalidade, foi cassada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso em sede de Habeas Corpus Liberatório impetrado pela defesa. A menor responderá em liberdade à acusação que lhe foi imputada”, explicou o advogado Artur Osti, responsável pela defesa da menor.  

 

A decisão é do desembargador Rui Ramos e foi dada na manhã desta quarta-feira (16). Antes, a Justiça tinha até 45 dias para decidir o futuro da menor, que é o prazo que a internação provisória. Mas, em liberdade, já não há a mesma agilidade. 

 

O caso

Isabele Guimarães Ramos, 14, foi morta com um tiro no rosto quando estava na casa da melhor amiga, uma adolescente de também 14 anos na época. A amiga alegou que o disparo que matou Isabele foi acidental, no entanto, o inquérito da Polícia Civil concluiu que o homicídio foi doloso, ou seja, com intenção de matar.  

 

A investigação durou 50 dias, com 4 pessoas apontadas, além da menor e do pai dela, há ainda o indicamento do namorado dela e do pai dele.   

 

O namorado da menor que atirou, por ter levado as armas à casa da família Cestari, foi autuado por ato infracional análogo à posse de arma de fogo. E o pai dele, Glauco Fernando Mesquita Correa da Costa, foi indiciado por omissão de cautela, já que tinha responsabilidade sobre as armas.

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Comentários

osmarina maria da silva assuncao - 18/09/2020

E coitada da adolescente que se foi, antes mesmo de começar a viver.Dois pesos e duas medidas a justiça daque do nosso país, os pais tem dinheiro, quantos outros menores estão apodrecendo dentro dessa instituição mas não tem dinheiro estão la.A pobrezinha tem dinheiro não passou dois dias la.Todos que cometem crimes devem pagar sem distinção de classe social.Cada dia sinto mas vergonha de ser brasileira, uma terra onde so fica na cadeia os menos favorecidos.Que decepção.

fabia christine - 18/09/2020

Só gostaria de saber se fosse a filha desse desembargador que tivesse morrido e não a Isabele....se ele iria libertar essa garota....ela pode ate se safar da justiça dos homens mais de Deus não vai....ela vai carregar isso pra toda vida....

Silas Lima - 17/09/2020

Só deixou escancarado a fragilidade da lei brasileira cheio de brechas que só quem pode pagar pode acessá-las, não foi a repercussão do caso, muito menos por ser de menor ( o que não a impediu de atirar a queima roupa ) Foi apenas mais um caso onde o dinheiro faz a diferença.

Weslei - 16/09/2020

Sou advogado atuante na área criminal, tem coisa que não consigo entender, pois estou aguardando uma decisão de pedido LIMINAR em habeas corpus o qual foi protocolado dia 11/09/2020 Até agora sem decisão. Não consigo entender tamanha celeridade desse caso, parece tratamento diferenciado. Talvez seja porque é menor, ou da repercussão do caso !!!

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