OPERAÇÃO HERITAGE 07.08.2026 | 17h20

laisa@gazetadigital.com.br
Montagem GD
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), criticou o suposto vazamento de informações sobre a Operação Heritage da Polícia Federal, deflagrada na quinta-feira (06), que investiga o possível desvio de mais de R$ 308 milhões dos cofres estaduais. Ele acusou uso indevido da ação para contaminar o processo eleitoral e jurídico, mas ponderou que a apuração deve prosseguir.
O prefeito citou declarações do senador Jayme Campos (União), que vinha comentando sobre as operações na imprensa antes mesmo de sua deflagração oficial.
“O Jayme dando entrevistas falando da operação... Eu acho que é difícil uma operação vazada informar os agentes políticos de quando vai acontecer. Eu acho que isso fica contaminando o processo da investigação”, declarou o prefeito em coletiva nesta sexta-feira (07), na Câmara de Vereadores.
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O representante do Executivo municipal reforçou que a revelação antecipada do trabalho policial reduz a capacidade de colher provas de surpresa.
“Tanto vazamento de informação pode prejudicar a investigação, antecipando ao investigado a informação de que ele será investigado. Até se preparar para isso e, de modo esquivo, conseguir evitar que algo possa acontecer. Imagina: alguém avisa ‘vai ter blitz na via tal, tal dia, tal horário’, todo mundo pega um caminho secundário”, exemplificou.
Ainda, o prefeito questionou o uso do período eleitoral para a execução de medidas ostensivas de casos antigos, comparando o episódio as apurações enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para ele, buscas e apreensões em momentos de disputa nas urnas geram forte impacto político que, por vezes, se esvaziam com o arquivamento posterior dos autos.
“Agora, a investigação em si tem que investigar. Investiga mesmo para saber o que houve, se de fato aconteceu alguma coisa demais. Eu acho que ninguém está livre de investigação. Eu mesmo sou investigado em várias outras áreas, e é normal. Agora, o que é o problema durante o período eleitoral? Vai lá, faz todo esse barulho, tem essa narrativa. Passa as eleições, tem que arquivar o processo. Não pode ser dessa forma”, pontuou.
Apesar das críticas sobre o momento da deflagração, Abílio reiterou seu apoio à Polícia Federal e defendeu a preservação da instituição perante o debate político.
“Eu torço para que a imagem da Polícia Federal seja preservada. Nós temos grandes amigos na Polícia Federal e entendemos que é necessário preservar a imagem da instituição. Quando agentes políticos, principalmente por oposição política, começam a discursar, nós prejudicamos o processo”, alertou.
Questionado sobre os eventuais impactos do desgaste político sobre candidaturas ligadas ao grupo do governo estadual, como a chapa formada por Otaviano Pivetta (Republicanos) e Fábio Garcia (União), que é um dos investigados, Abílio adotou postura de neutralidade partidária. O prefeito ressaltou que decisões sobre trocas de nomes ou alianças cabem exclusivamente às siglas envolvidas.
“Eu não faço parte da campanha deles. Eles têm uma ala dentro do partido deles e vão tomar a decisão que acharem importante. Eu sou do PL, meu partido tem um outro projeto. Dentro do PL, a construção do PL cabe ao PL”, concluiu.
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