‘HIPOCRISIA PURA E DESCARADA’ 08.07.2026 | 18h52
redacao@gazetadigital
Montagem GD
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), rebateu, durante coletiva sobre regras de loteamento propostas pela gestão municipal, as críticas feitas por parlamentares da oposição em relação à derrubada de árvores na Capital. Sem citar nomes diretamente, o gestor apontou uma incoerência nas cobranças e defendeu que as intervenções na cidade são baseadas em “cálculos técnicos e na preservação de vidas”.
Ao explicar a lógica por trás das dimensões de lotes e calçadas mínimos de 200 m² defendidas por sua equipe, o prefeito argumentou que a organização do espaço urbano interfere diretamente na viabilidade de manter a cidade verde.
“Se de 6 e 6 metros eu tenho um lote e de 3 e 3 metros uma vaga de estacionamento. Em que lugar se planta a árvore? Essas metas existem por causa de um cálculo real de urbanismo. Que diz os valores mínimos necessários para ter uma cidade arborizada, urbanizada e tudo mais”, pontuou o gestor na última semana.
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O prefeito direcionou suas críticas aos vereadores que utilizam as redes sociais para questionar obras públicas, fazendo referência à Dra. Mara (Podemos) que vem publicando vídeos sobre o assunto, mencionando especificamente as intervenções na avenida Fernando Corrêa da Costa. Ele comparou a reação à retirada de poucas árvores para obras de mobilidade com o silêncio diante de grandes empreendimentos imobiliários particulares.
“A mesma vereadora que quer brigar para não arrancar uma árvore na Avenida Fernando Corrêa, que vai fazer um retorno para salvar uma vida lá, é a mesma vereadora que quer isso aqui. Ou seja, para fazer o acesso à mobilidade e evitar o risco de travessias inadequadas que vão acabar morrendo em acidente de trânsito, cinco ou seis árvores não podem. Agora, para fazer isso aqui [condomínio de casas sem arborização], 200 ou 300 árvores podem. A relatividade desse tipo de procedimento, que é a hipocrisia pura, descarada”, disparou Abílio.
Brunini sustentou que a posição oficial da administração municipal é pautada pela “racionalidade na tomada de decisão” e admitiu que o manejo ambiental é por vezes inevitável, seja para o trânsito ou para habitações de interesse social. No entanto, garantiu que as ações passam por crivo especializado.
“Cada caso é um caso. As decisões não são tomadas por vídeos nas redes sociais. As decisões são formadas por questões técnicas e urbanísticas com engenheiros florestais, com ambientalistas, com pessoas que entendem o assunto. Infelizmente, algumas pessoas precipitadamente tratam de politizar uma decisão que não é política, uma decisão que é urbanística, técnica e que vai salvar vidas”, afirmou o gestor, conhecido por sua presença digital.
Por fim, ele declarou que não irá paralisar as obras por conta de uma árvore que restou. Sendo que ele derrubará o pedido feito pela Câmara ao Ministério Público (MPMT), justificando que só falta aquela para dar prosseguimento à operação.
“A obra não vai ser paralisada, nós vamos continuar a obra, vamos justificar o Ministério Público. E, se ele quiser que a gente arranque metade da avenida para levar a árvore junto para algum canto, a gente para o trânsito da Fernando Corrêa inteirinho durante uma semana, arranca a árvore de lá e faz a obra lá do mesmo jeito. O pessoal que achar ruim vai reclamar no Ministério Público, no gabinete dos vereadores e tudo mais, porque eles que estão querendo que feche a avenida para arrancar uma árvore”, provocou.
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