‘PSICOLOGIA REVERSA’ 07.07.2026 | 15h41
redacao@gazetadigital
Reprodução Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou categoricamente que o novo Mercado Municipal Miguel Sutil não será inaugurado antes da emissão do Habite-se, um documento que certifica a conclusão da obra e autoriza a ocupação segura do imóvel. A declaração responde a questionamento sobre o convite para a entrega do empreendimento e a disputa política pela “paternidade” da obra.
“Primeiro, a obra precisa ter Habite-se. Não tem inauguração sem Habite-se. Ela não está concluída e não tem o documento. Então, a gente tem que aguardar toda a comprovação documental para a gente poder emiti-lo”, pontuou na última semana.
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Ao ser provocado sobre a fala de que “um pai não pode faltar ao nascimento do filho”, feita em referência ao ex-prefeito da capital, Emanuel Pinheiro (PSD), que idealizou o projeto, Abílio foi irônico e criticou o histórico do empreendimento, afirmando que o “pai dessa obra é muito feio” e que o gestor anterior “não se comportou muito bem”.
O prefeito também usou o tom sarcástico para justificar o recente ritmo acelerado dos trabalhos, atribuindo a pressa das empreiteiras às suas próprias críticas públicas.
“Eu acho que sou o cara que mais acelera obra no município de Cuiabá. Porque, se eu estivesse pedindo para o cara fazer, ele ficava enrolando. Agora eu fico falando: ‘não faz essa obra’. Aí ele vai lá e faz. A psicologia reversa funciona perfeitamente. O cara acelerou a obra em 300% depois que eu falei que não queria que fizesse”, declarou.
A entrega do Mercado Municipal, contudo, promete ser o início de uma nova batalha. Abílio antecipou que, assim que a construção for finalizada e regularizada, o município pretende acionar o Poder Judiciário para reaver o controle total do espaço. Hoje ele está concedido à empresa CS Mobi.
“Parabéns, que termine a obra. Porque depois a gente vai entrar na Justiça para tomar essa obra para nós”, disparou o prefeito, ameaçando os responsáveis.
Questionado diretamente se comparecerá à cerimônia de inauguração, o chefe do Executivo municipal foi enfático.
“Cara, não sei. Se o ‘pai da obra’ vai estar lá, eu não tenho interesse de ir, não”, concluiu em alfinetada a Emanuel.
Entenda o caso
A concessão do espaço está vinculada ao estacionamento rotativo no Centro da cidade, contrato que foi assinado por Emanuel Pinheiro. Para cobrar dos motoristas parados nas ruas, a empresa CS Mobi se comprometeu a revitalizar o antigo mercado, que estava em completo abandono. Logo que assumiu o Alencastro, Abilio tentou ronper o contrato.
O embate em torno do Novo Mercado Municipal aumentou após o prefeito Abílio Brunini passar a defender abertamente o rompimento do contrato e a anulação da Parceria Público-Privada (PPP) de 30 anos firmada com a concessionária CS Mobi.
O gestor acusa o modelo de concessão de desproteger os trabalhadores tradicionais, que enfrentam uma “expulsão” iminente por não conseguir se manter nos novos aluguéis de boxes estimados em até R$ 20 mil mensais. Esse cenário de exclusão dos feirantes históricos inflamou o debate na Câmara municipal, transformando a obra em alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas irregularidades, falta de transparência nos prazos e as pesadas taxas aplicadas pela empresa privada.
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