DESVIO DE CESTAS BÁSICAS 03.07.2026 | 16h27

aparecido@gazetadigital.com.br
PJC
Após a deflagração da Operação Mesa Vazia, nesta sexta-feira (03), a Câmara Municipal de Barra do Garças (509 km de Cuiabá) prometeu atuar em defesa das prerrogativas dos cinco vereadores acusados de participação em esquema que desviava cestas básicas. Os alimentos eram encaminhados pelo Estado para serem entregues a pessoas da baixa renda da cidade. A nota foi publicada na conta oficial do órgão no Instagram.
Os vereadores investigados são: Valdeí Leite Guimarães (PRD), Adilson Tavares Lopes (Podemos), Allan Construtor (Podemos), Armando José de Brito (PMB) e Elton Melo (Podemos).
“A Presidência da Casa informa que prestará total e irrestrito apoio às autoridades e assegurará as prerrogativas dos parlamentares supostamente envolvidos, sendo assegurados também os direitos constitucionais ao contraditório e ampla defesa nos termos da lei”, diz a publicação.
O texto prossegue dizendo que a Câmara respeita o trabalho investigativo da Polícia Civil e que está à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos. A reportagem tentou contato por telefone com o Legislativo de Barra do Garças, mas as ligações não foram atendidas, apesar de ser o horário do expediente.
Contactada, a assessoria da prefeitura informou que não vai se manifestar porque não é alvo da operação, não é parte no processo e nem foi notificada dos fatos em investigação. Como divulgado mais cedo pelo
, as cestas eram entregues em locais indicados pelos vereadores quando estavam em poder de motorista do Executivo municipal.
Segundo a investigação, o número de cestas básicas e kits de higiene pessoal desviados pode chegar a 13 mil. O material era entregue aos municípios pelo Governo do Estado por meio do programa SER Família Solidário, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).
Dois servidores públicos, identificados como Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares, seriam os articuladores do esquema. Benier era quem retirava o material na Setasc, providenciava autorizações para retirada das cargas, organizava a logística de transporte e financiava parte das operações por meio de empresa ligada ao grupo.
Renato, segundo a investigação, atuaria na coordenação da logística, definindo locais de armazenamento, descarregamento e redistribuição dos produtos, além de utilizar imóveis próprios e de familiares para ocultar parte das mercadorias.
Um motorista da prefeitura afirmou em depoimento ter realizado diversas viagens entre Cuiabá e Barra do Garças, transportando cestas básicas. Disse que era orientado a descarregar parte do material em chácaras e imóveis particulares, sem passar pelo processo normal de controle.
Conforme a Polícia Civil, os cinco vereadores seriam integrantes do núcleo responsável pela distribuição paralela das cestas básicas. Conforme a investigação, eles teriam recebido cargas oriundas do esquema e promovido a entrega dos alimentos sem qualquer vínculo com os cadastros oficiais da assistência social, utilizando os produtos em ações de caráter político e assistencial.
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