PELOS PRÓXIMOS 35 ANOS 15.03.2019 | 09h20

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Chico Ferreira
Levantamento feito pelo MT Prev e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) aponta que o deficit previdenciário de Mato Grosso pelos próximos 35 anos é de R$ 57 bilhões. Tal valor é parte da projeção atuarial da previdência de todos os Poderes. Mais de 90% deste valor vem do poder Executivo, no volume de R$ 50 bilhões, os demais R$ 7 bilhões são o resultado da soma do prejuízo previdenciário previsto do Tribunal de Justiça (TJMT), Ministério Público (MP), Assembleia Legislativa (ALMT), Tribunal de Contas (TCE) e Defensoria Público (DP).
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Documento que a reportagem do jornal A Gazeta teve acesso mostra que apenas o Tribunal de Justiça registra um deficit atuarial de R$ 3.571.397.694,59.
O que significa dizer que, para pagar todos os aposentados e aqueles que ainda vão se aposentar, a corte estadual precisará de mais R$ 3,5 bilhões nos próximos anos. Todas as informações, incluindo da previdência dos poderes, foram levantadas a partir de dados de 2017.
A análise foi feita pela empresa Exacttus Consultoria Atuarial Ltda, contratada pelo governo do Estado. É a primeira vez que os poderes serão inclusos no levantamento. Na prática, nenhum deles participa do MT Prev, regime de previdência do Estado criado em 2014 e que deveria ser centralizado.
Outra forma de analisar o deficit do Estado é através do prejuízo do exercício, pelo chamado "deficit previdenciário financeiro", que é calculado sem qualquer projeção. Dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) dão conta de que apenas o governo do Estado, através do MT Prev, fechou 2018 com um deficit financeiro R$ 1,158 bilhão.
O deficit é provocado principalmente porque o quadro atual mostra insuficiência na proporção de servidores ativos para cada aposentado e pensionista. Em síntese, os ativos pagam a aposentadoria dos demais. Assim, quanto maior o número de servidores ativos e menor o número de aposentados, melhor é o cenário. Atualmente, para cada servidor aposentado existe um servidor ativo.
O cenário ideal, considerado "confortável" por especialistas, é o de que existam pelo menos mais de 10 servidores ativos para cada um que se aposentou. Em linhas gerais, o Estado possui 52.140 servidores ativos com vínculos efetivos, 26.627 aposentados e 6.693 pensionistas, segundo informações da Controladoria Geral do Estado (CGE).
Como não consegue se manter com a contribuição dos servidores, o MT Prev acaba dependendo de repasses do Tesouro Estadual.
Deficit no TJMT
Os resultados das avaliações da empresa contratada para analisar os deficits previdenciários de cada poder estão sendo colhidas pela Sefaz e devem ser enviados na prestação de contas anual ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O secretário de Fazenda, Rogério Gallo alertou, em fevereiro, sobre o atraso da remessa de informações previdenciárias do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Gallo explicou que, caso as informações não tivessem sido repassadas, o TCE poderia responsabilizar o TJMT por não prestar informações.
"Caso não seja efetuado o registro solicitado, não teremos como agir de forma diversa senão fazer constar nas Notas Explicativas da prestação de contas anual a informação de qual Poder ou Órgão Autônomo não fez constar a sua parcela no deficit atuarial previdenciário em seus registros", informou o secretário.
De acordo com a assessoria de imprensa do TJMT, os dados foram repassados regularmente e o deficit atuarial não representa, por si só, uma complicação financeira para o órgão, já que se trata de uma projeção para as próximas décadas.
Alíquota de contribuição
Atualmente a alíquota de contribuição dos servidores do poder executivo e judiciário é de 11%, enquanto a parte patronal - do governo do Estado e do Tribunal de Justiça - é de 22%. Aliás, são os únicos poderes que praticam essa porcentagem. Já a Assembleia Legislativa estabeleceu que a contribuição na previdência patronal seja de 11%, mesmo valor que é recolhido dos seus funcionários.
Este é um dos principais entraves para que o Legislativo entre para o MT Prev, fazendo que o Estado passe a ter uma única unidade gestora previdenciária. Nos bastidores, a ida da Assembleia para o MT Prev passa por uma negociação orçamentária, já que, com a adesão, o Poder Legislativo precisaria aumentar a sua contribuição para 22% como os demais poderes.
Os parlamentares defendem que, com o aumento da alíquota patronal, aumentaria as despesas e por isso seria necessário um aumento no duodécimo. Assim como os demais órgãos e instituições. Outro argumento da Assembleia é que com o aumento da alíquota, o parlamento estadual poderá estourar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
O MT Prev foi criado em 2014 para se tornar a única unidade gestora da previdência no Estado, conforme estabelece a Constituição Federal.
Porém, em 2016, o TJ concedeu uma liminar através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pela Associação Mato-Grossense de Magistrados (Amam). Com isso, o Judiciário impediu que a folha de pagamento dos magistrados aposentados e/ou pensionistas ficas se a cargo do próprio Judiciário e não do MT Prev.
Um dos principais argumentos do Judiciário é que o MT Prev feriria a autonomia dos Poderes. A liminar é utilizada até pela Assembleia, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública.
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