VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES 03.06.2026 | 16h28

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Montagem GD
O ataque hacker sofrido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) há três meses, revelado nesta terça-feira (2), repercutiu na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Os deputados classificaram o caso como escândalo grave, cobraram investigações rigorosas e demonstraram preocupação com possíveis reflexos sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura contratos e operações financeiras da pasta.
O presidente da Assembleia, Max Russi (Podemos), afirmou que o episódio acende um alerta sobre a fragilidade dos sistemas de Tecnologia da Informação (T.I.) do Estado e pode comprometer o acesso a documentos importantes para as investigações em andamento.
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“Preocupante porque está acontecendo uma CPI neste momento, com informações que essa comissão precisa, e agora esse hacker invade. É muito alarmante porque, se conseguem invadir a Secretaria de Saúde e apagar tudo, imagine se entrarem na Secretaria de Fazenda. Olha o caos que nós vamos ter”, alertou.
Vice-presidente da ALMT, Júlio Campos (União) afirmou que as denúncias reforçam preocupações já existentes dentro da CPI e cobrou esclarecimentos sobre o desaparecimento de documentos e informações da pasta.
“Lamentável que só agora venham à tona as informações que já tínhamos, sigilosamente, que encaminhamos, por meio da CPI, para serem investigadas. É muito preocupante o que aconteceu na Secretaria de Saúde nos últimos dias da gestão Mauro Mendes. Esse escândalo de sumiço de milhares de documentos, dados e informações de pacientes sumiu Depois disso, a informação do servidor responsável que se suicidou Precisa que seja investigado pelas autoridades competentes”, declarou.
Já o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) classificou o episódio como um “escândalo sem precedentes” e questionou a transparência das informações divulgadas pelo governo. Lúdio lembrou que a pasta recebe recursos federais e o assunto deveria ser, no mínimo, assunto para a Polícia Federal (PF).
“Escândalo sem precedentes. Há uma série de questionamentos, operação policial, inquéritos e CPI tratando de operações financeiras na SES. Quem está investigando esse vazamento? Esses dados foram corrompidos? É gravíssimo. São recursos federais, o Estado deveria tornar pública essa informação. Algo gravíssimo, precisa se tornar objeto de investigação. Esse volume de informações hackeadas diz respeito a quem? Aos serviços prestados e executados”, questionou.
Ataque hacker
A Secretaria de Estado de Saúde confirmou na terça-feira (2) que foi alvo de um ataque cibernético identificado em março deste ano. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e, segundo a pasta, os criminosos chegaram a exigir pagamento para devolver dados supostamente sequestrados.
Em nota, a SES informou que o volume afetado representa menos de 1 terabyte do total armazenado pela instituição e que os dados foram recuperados por meio dos sistemas de contingência e segurança existentes. A secretaria sustenta que a base principal não foi comprometida e que os serviços prestados à população continuaram funcionando normalmente.
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos e comunicado à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), conforme determina a legislação. A pasta também negou ter realizado qualquer pagamento aos invasores e informou que segue colaborando com as investigações para identificar os responsáveis e reforçar os mecanismos de segurança digital.
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