‘SURPRESA ZERO’ 07.08.2026 | 09h00

fred.moraes@gazetadigital.com.br
João Vieira
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), afirmou que a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), não causou surpresa e defendeu que o legislativo retome as discussões para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso envolvendo o acordo entre o Estado e a empresa de telefonia Oi S.A.
Para Júlio, as denúncias sobre o caso já eram conhecidas e haviam sido formalmente encaminhadas a diferentes órgãos de controle. O deputado lembrou que, o ex-governador, Pedro Taques (PSB) apresentou denúncias relacionadas ao caso ao Senado Federal, Procuradoria-Geral da República (PGR), Tribunal de Contas da União (TCU), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Assembleia Legislativa e Ministérios Públicos Estadual e Federal, mas o caso não avançou em Mato Grosso.
“Lamentavelmente, aqui em Mato Grosso, esse fato ficou abafado. Nenhuma autoridade, que seja do Legislativo, do Ministério Público ou da Justiça, tomou providências”, disse.
Questionado se a Assembleia Legislativa teria o dever de encabeçar novamente a proposta de CPI para investigar o caso, Júlio respondeu que sim. O deputado afirmou, porém, que ainda faltariam uma ou duas assinaturas para viabilizar a instalação da comissão. Segundo ele, além do caso envolvendo a Oi, outro tema que poderá ser alvo de investigação é o dos empréstimos consignados.
“Com certeza. Mas, por exemplo, eu acho que ainda falta uma ou duas assinaturas, segundo a informação. Não só da Oi, como também dos consignados”, emendou
O parlamentar classificou o caso dos consignados como outra questão de grande preocupação e sinalizou que novas medidas policiais podem ocorrer nos próximos dias. "Vai explodir nos próximos dias", resumiu.
A Operação Heritage investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso indevido de informação privilegiada. Segundo a PF, há indícios de que uma operação financeira relacionada ao acordo entre o Estado e uma empresa privada de telefonia tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões.
“Se for verdade, como é verdade, nós sabendo que o dinheiro chegou na conta, não tem como, vai ter que ter responsabilização. As punições das pessoas responsáveis pelo desvio de R$ 308 milhões, através do escândalo da Oi”, emenda.
A Operação Heritage cumpre 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também foram determinadas medidas como bloqueio e indisponibilidade de bens, afastamento de sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre investigados.
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