área de risco 04.06.2026 | 08h10

laisa@gazetadigital
João Vieira/TV Vila Real
O pré-candidato ao governo de Mato Grosso, Caiubi Kuhn (PDT), criticou a condução das obras no trecho conhecido como Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. O geólogo classificou a intervenção realizada pela gestão como "um desastre". Segundo o professor, a situação extrapola os custos da obra em si e envolve uma série de despesas adicionais para manter o local em funcionamento e monitoramento constante com quatro oficiais em plantão.
"Ali foi um desastre a condução realizada. Nós temos mais de dois anos e até agora não se resolveu nada. Foi gasto muito dinheiro. O Portão do Inferno tem muito mais policiamento do que muita cidade do interior de Mato Grosso. Tem lugares em que não vai ter a mesma atenção da polícia. Isso só para dizer que não trata só da obra. Trata de outros recursos públicos que estão ali", afirmou em sabatina no Jornal do Meio-Dia na quarta-feira (03).
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O pré-candidato destacou que os recursos empregados no local poderiam estar sendo direcionados para outras demandas da população e defendeu maior diálogo entre os órgãos responsáveis antes da execução de obras consideradas complexas. Para ele, decisões desse porte devem envolver técnicos especializados, órgãos licenciadores e instituições competentes, de forma a construir soluções consensuais e tecnicamente viáveis.
Ao comentar o projeto de retaludamento, que é uma técnica de terraplenagem que altera a inclinação do terreno, apresentado pelo governo estadual e posteriormente abandonado, o pré-candidato afirmou que estudos técnicos já apontavam dificuldades para a execução da proposta desde o início.
"Foram feitos estudos técnicos que indicavam que a obra do retaludamento era impossível de ser realizada. E é importante dizer que aquela obra não ficou paralisada um dia sequer. Foram gastos ali quase R$ 12 milhões, só no valor da obra. E isso sem contar os outros contratos, os gastos da Polícia Militar e da fiscalização", declarou.
Durante a entrevista, o pré-candidato também abordou o projeto da MT-030, apontada pelo governo como uma alternativa de ligação entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. Para ele, informações divulgadas sobre a redução da distância entre os municípios não correspondem à realidade.
"Não é verdade que a MT-030 reduz em 30 quilômetros a distância entre Cuiabá e Chapada. O percurso discutido fica perto de 54 quilômetros. O governo do Estado tinha que apresentar esses números para a população. Quanto vai custar a MT-030? Quanto tempo vai demorar para fazer a subida da serra? Isso precisa ser compartilhado com a sociedade", alegou.
O pré-candidato afirmou que Mato Grosso precisa priorizar investimentos voltados à melhoria da qualidade de vida da população, com foco em educação, geração de renda e redução das desigualdades sociais.
"O Mato Grosso hoje precisa de soluções para a população mais pobre. Precisa de mais igualdade e de oportunidade para todo mundo. Eu acho que é esse o tipo de debate que a gente tem que trazer hoje para a população. Tem que trazer para a população que o Estado é um Estado rico e com muitos recursos. Agora, o que a gente vai fazer com esse recurso? O que a gente vai priorizar? Para mim é muito claro. Tem que priorizar a qualidade de vida, educação, ciência e geração de renda”, concluiu.
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