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UNIDOS PELA CRÍTICA 16.07.2026 | 15h02

Vereadores avaliam que postura do prefeito causa constrangimento ao Legislativo

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Laisa Stofel e Fred Moraes

redacao@gazetadigital.com.br

Montagem GD

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A tentativa de interferência direta do prefeito Abilio Brunini (PL) para viabilizar a reeleição de Paula Calil (PL) expôs uma fissura na própria base governista. Após decisão do Tribunal de Justiça (TJMT) que negou mudança na quantidade de votos para alterações, oposição e governistas se uniram para reprovar a conduta do chefe do Executivo.

 

Tanto o vereador Rafael Ranalli, correligionário do prefeito no PL, quanto o oposicionista Daniel Monteiro (Republicanos), convergiram na avaliação de que a forma como o chefe do Executivo agiu foi prejudicial para a própria imagem do Legislativo.

 

Leia também - Consenso por data evita insegurança jurídica e afasta ‘contágio’, afirma Nadaf

 

O vereador Rafael Ranalli não escondeu o incômodo com a exposição gerada pela articulação de Abílio. Embora declare sua torcida para que o partido mantenha as “rédeas” da Mesa Diretora, Ranalli criticou abertamente as medidas públicas adotadas pela prefeitura. Em sua análise sobre o cenário de votação após a manutenção do regimento, o parlamentar explicou as dificuldades matemáticas enfrentadas pelo grupo.

 

“Se viesse uma mudança jurídica, apenas 14 votos poderiam garantir a ela o direito de concorrer. A gente fala em 16 ali que garantem o regimento, então faltariam dois nos próximos dois dias. O que eu acho um pouco difícil, até porque, do outro lado, dificilmente alguém que está no outro time vai querer votar para até permitir a Paula. Então a gente quer tentar manter a casa nas rédeas ou nas mãos do PL, até porque a Paula faz uma administração austera, nada de polêmica, é muito séria, é correta e a gente quer manter essa condição”, afirmou em coletiva nesta terça-feira (14).

 

Ao avaliar a conduta do prefeito no processo de disputa interna da Casa, Ranalli foi categórico ao afirmar que o movimento público causou “constrangimento” e que a prefeitura deveria ter agido nos bastidores, e não de forma escancarada. Segundo ele, a movimentação “não pegou bem, surpreendeu a todos”.

 

“Eu mesmo, por vezes, vim aqui e falei que era contra o Abílio ficar interferindo na eleição da Mesa. A gente aqui também não é inocente de achar que não tem o interesse da prefeitura. É hipocrisia achar que o Executivo não quer comandar o parlamento ou, no mínimo, quer tê-lo ao lado. Mas essa pressão e essa coisa muito incisiva e bem aparente aí fica feio, fica chato, diminui o tamanho dos vereadores. Eu mesmo falei para o Abílio: ‘chega e fala que você não vai se meter’. Mesmo que em bastidor você dê um pitaco ou outro, mas não descaradamente”, admitiu o vereador.

 

Do outro lado, Daniel Monteiro validou a tese de que o prefeito colhe agora os frutos de um desgaste político autoimposto. Monteiro apontou que a saída de aliados e o racha na base são consequências naturais de uma articulação malsucedida e centralizadora por parte do prefeito.

 

Para o oposicionista, o grande problema não é a preferência política do prefeito, mas sim o atropelo das regras institucionais e a falta de decoro no trato com os parlamentares independentes.

 

“Veja, perder é claro que ele perdeu. Na medida em que alguns componentes abandonaram a base, e até teve uma caricatura que ilustra bem o que aconteceu, que foi ele retirando os vereadores do grupo [do WhatsApp]. É claro que há um prejuízo, mas eu acho que isso é inevitável. Se não há consenso, quando o executivo apoia alguém, ele vai acabar perdendo do outro lado. Então eu vejo com bastante naturalidade esse processo”, afirmou na mesma data.

 

Ainda segundo Monteiro, a linha que separa a articulação política saudável da ingerência foi ultrapassada quando o prefeito decidiu desqualificar publicamente outros candidatos à presidência da Mesa Diretora para blindar Paula. O vereador ressaltou que a agressividade das declarações de Abílio gerou um clima desnecessário de embate na Casa de Leis.

 

“O que eu condeno nesse processo todo, na verdade, não é o apoio concedido ao lado A ou ao lado B, mas sim a forma como esse apoio foi prestado. Porque, em política, eu enxergo que forma também é conteúdo. Então, quando se invade atribuições, quando se propõe uma ação, quando se declara publicamente em uma entrevista que a única candidata que atenderia aos desejos do prefeito é fulana, [...] fica uma situação um pouco constrangedora. E aí sim eu acho que acaba extrapolando um pouco do que é ordinário. Repito, sempre vai ter desgaste, mas acho que o desgaste aqui foi um pouco mais demasiado pela postura adotada pelo prefeito”, concluiu.

 

 

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