GOVERNO NA MIRA 15.07.2026 | 09h55

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João Vieira
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), afirmou que a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira (15) para investigar um esquema de fraudes em empréstimos consignados fortalece o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso no Estado.
Segundo Russi, a investigação federal dá mais consistência ao requerimento, que já conta com seis assinaturas, e reduz a resistência de parlamentares que viam a comissão com cautela em meio ao período eleitoral. "Em havendo uma operação da Polícia Federal e havendo agentes públicos envolvidos no Estado de Mato Grosso, com certeza fortalece muito o debate", afirmou. "A Assembleia, que já tem seis ou sete assinaturas, deve encaminhar, sim, para o processo de CPI", completou.
O presidente da Casa disse que havia dúvidas sobre a instalação da comissão neste momento do calendário eleitoral, mas que a operação muda o cenário. "Eu achava que, nesse momento eleitoral, uma CPI poderia ter dificuldade no seu encaminhamento. Agora, com a operação da Polícia Federal, fortalece muito o debate", disse.
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Russi ponderou que ainda aguarda informações oficiais sobre os alvos da operação, mas afirmou que, se as empresas investigadas tiveram atuação no Estado, o Legislativo deverá avançar com a investigação. "Já tendo toda uma investigação e trabalho em cima disso, eu acho que a Assembleia tem por obrigação aprofundar essa investigação", reforçou.
A declaração representa uma mudança no ambiente político da Assembleia. Na semana passada, deputados divergiam sobre a criação da CPI dos Consignados. Enquanto parlamentares da oposição defendiam a investigação, parte da base do governo Otaviano Pivetta (Republicanos) demonstrava resistência e argumentava que a comissão poderia assumir um viés eleitoral, o que dificultava a obtenção das assinaturas necessárias para sua instalação.
O requerimento para criação da CPI começou a ser articulado após denúncias de descontos considerados irregulares em contracheques de servidores estaduais, aposentados e pensionistas. A proposta busca investigar a atuação de instituições financeiras, empresas intermediadoras e possíveis falhas na fiscalização dos contratos de crédito consignado firmados com servidores públicos. Até esta quarta-feira, o pedido possui seis assinaturas, segundo o presidente da Assembleia.
A Operação Fugazi, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta, investiga um grupo econômico suspeito de lesar servidores públicos, aposentados e pensionistas de Mato Grosso por meio de contratos de cartão de crédito consignado que, segundo a investigação, funcionavam na prática como empréstimos consignados com juros elevados e mecanismos que dificultavam a quitação da dívida.
Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, além do bloqueio de bens dos investigados.
Para Russi, caso seja confirmado que empresas investigadas atuaram no mercado de consignados em Mato Grosso, a Assembleia terá "obrigação de aprofundar essa investigação" por meio da CPI.
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